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O ex-delegado Maurício Demétrio foi oficialmente desligado dos quadros da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O decreto de sua demissão foi publicado nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial do Estado. Preso desde 2021, Demétrio responde a uma série de acusações que incluem extorsão, obstrução de justiça e abuso de autoridade.
A queda do delegado começou com a Operação Carta de Corso, na qual foi acusado de liderar um esquema de cobrança de propinas de comerciantes da Rua Teresa, em Petrópolis. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o delegado exigia pagamentos semanais de lojistas para permitir a venda de produtos falsificados. A investigação teve início em 2019, após uma lojista denunciar que sua recusa em pagar R$ 250 semanais resultou na apreensão de mais de 100 peças de roupas de sua loja.
Condenação e histórico de irregularidades
Em janeiro deste ano, o ex-delegado foi condenado pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio a 9 anos, 7 meses e 6 dias de prisão em regime fechado, além de multa de R$ 367.120. A sentença também determinou a perda de sua função pública, reforçando a decisão que culminou em sua demissão.
Demétrio enfrentava 42 acusações administrativas, apuradas em oito Processos Administrativos Disciplinares (PADs), conforme relatado pela Corregedoria da Polícia Civil. Entre as denúncias, ele foi acusado de criar dossiês com dados sigilosos, atrapalhar investigações policiais e orquestrar operações falsas para favorecer interesses particulares.
Atuação questionada e queda na carreira
Com mais de 20 anos de carreira na Polícia Civil do Rio, Maurício Demétrio passou por delegacias especializadas, como as de Meio Ambiente (DPMA), do Consumidor (Decon) e de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). No entanto, foi enquanto chefiava a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) que as irregularidades vieram à tona.
Segundo o MPRJ, o ex-delegado utilizava a estrutura da delegacia para extorquir comerciantes e proteger o esquema de venda de produtos falsificados. Relatos apontam que ele ainda cobrava propina para dificultar investigações policiais e ordenar ações direcionadas contra lojistas que não se submetiam às exigências.
Demitido e preso
Atualmente, Demétrio cumpre pena na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, em Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó. A decisão de sua demissão foi assinada pelo governador Cláudio Castro na última sexta-feira (13), após recomendação do corregedor-geral Glaudiston Galeano Lessa.