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Afinal, vai ter greve? Veja o que dizem entidades que representam caminhoneiros

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Greve de caminhoneiros

Lideranças de caminhoneiros de todo o Brasil definem nesta quinta-feira (19) o futuro do transporte rodoviário no país. Após uma reunião tensa realizada ontem, a categoria deu um ultimato ao governo federal: ou as medidas de fiscalização e auxílio saem do papel, ou haverá paralisação nacional imediata.

O movimento é liderado por figuras como Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores). A categoria concordou em aguardar a publicação de um novo instrumento normativo prometido pelo Executivo, mas o clima é de ceticismo. Se o texto não trouxer soluções concretas para o custo do combustível e o cumprimento do piso do frete, os caminhões devem cruzar os braços ainda hoje.

O “Nó” do Combustível: Diesel sobe até 17%

A pressão sobre os motoristas autônomos tornou-se insustentável nas últimas semanas. O conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado no fim de fevereiro, desestabilizou o mercado global de petróleo, fechando rotas de escoamento e jogando os preços para cima.

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No mercado interno, o reflexo foi um “tarifaço” nas bombas:

  • Média Nacional: O diesel S-10 subiu mais de 7% apenas na primeira semana de março.

  • Picos Regionais: Em estados como o Piauí, a alta chegou a 17%, destruindo a margem de lucro de quem vive do volante.

A Luta pelo Piso do Frete

Além do preço na bomba, os sindicatos denunciam que o piso mínimo do frete — valor obrigatório que deveria cobrir custos e garantir lucro — está sendo ignorado por grandes empresas.

“A categoria já decidiu cruzar os braços caso não haja avanço com o governo”, afirmou Chorão ao site Poder 360.

Sem a fiscalização prometida, o caminhoneiro acaba pagando do próprio bolso para transportar mercadorias, já que o valor recebido pelo frete não acompanha a velocidade dos reajustes do combustível.

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O que está em jogo hoje?

O governo tenta evitar o caos logístico com promessas de novas medidas de fiscalização. No entanto, as entidades de classe afirmam que só acreditarão com o documento publicado no Diário Oficial.

As principais reivindicações são:

  1. Redução ou subsídio no preço do diesel: Para conter o impacto da guerra no Irã.

  2. Fiscalização rigorosa do frete: Garantir que a tabela mínima seja respeitada por transportadoras e embarcadores.

  3. Garantias de manutenção: Destinação de recursos para que o transportador autônomo consiga manter o veículo diante da crise global.

Petrobras vê risco de greve e alerta para possível problema de abastecimento

O clima nos bastidores da Petrobras é de alerta máximo. A cúpula da estatal manifesta crescente preocupação com a possibilidade de uma paralisação nacional dos caminhoneiros, motivada pelo recente aumento de R$ 0,38 no preço do diesel, anunciado no último sábado (14).

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A alta foi uma resposta direta à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Irã. No entanto, o reajuste não foi bem recebido pela categoria. “Eles não aceitam sequer o aumento de 38 centavos anunciado”, revelou uma fonte da companhia à revista Veja.

A Petrobras enfrenta uma “faca de dois gumes”. De um lado, precisa alinhar seus preços ao mercado global para evitar prejuízos; de outro, sofre pressão do governo e dos transportadores para conter a inflação.

  • Importadores em xeque: Membros da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) alertam que o preço praticado pela estatal ainda é considerado “artificialmente baixo” em comparação ao exterior.

  • Risco de falta de combustível: Essa diferença desencoraja a importação privada. Sem o complemento do produto vindo de fora, o Brasil corre o risco de enfrentar problemas de abastecimento.

Internamente, o clima é de alerta. “Podemos ter problemas críticos”, afirmou uma fonte da Petrobras ao veículo, diante do cenário de incerteza envolvendo o setor de combustíveis e o transporte no país.

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