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Evento de Vorcaro com Moraes em Londres foi cancelado após sanções dos EUA

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A organização de um fórum jurídico em Londres, patrocinado pelo Banco Master e com participação prevista do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entrou em crise após o anúncio de sanções dos Estados Unidos contra o magistrado com base na Lei Magnitsky. Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que uma produtora sugeriu retirar nomes da divulgação e adiar a programação. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira (16).

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O evento estava previsto para agosto de 2025, mas acabou cancelado após preocupações de que as sanções americanas também pudessem atingir os organizadores. Procurados, Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, não se manifestaram.

Segundo as mensagens obtidas pela PF, Moraes participava da organização de eventos privados com autoridades no exterior, promovidos pelo banqueiro. Os diálogos indicam que o ministro enviava convites e opinava sobre os participantes.

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Definição da programação

Nas conversas, Ana Matos, que foi superintendente de Comunicação e Marketing do Banco Master entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, relatou a Vorcaro, em 22 de julho de 2025, que estava definindo a programação do fórum com Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes. Ela afirmou, porém, temer que a realização do evento provocasse desgaste para o banco e prejudicasse a negociação de venda ao Banco de Brasília (BRB).

“Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom. Vou te mandar. Vc na abertura e encerramento. Eles vão querer divulgar aos convidados. Eu disse que precisava falar com vc antes. Meu receio eh atrapalhar BRB”, escreveu Ana Matos.

Em seguida, Vorcaro pediu que seu nome fosse retirado do evento e que a divulgação fosse adiada. Uma das alternativas discutidas era deixar apenas o nome do Grupo Voto, apontado como responsável pela organização, e o do escritório de advocacia de Walfrido Warde, advogado do banqueiro.

“Acho que pode ser a melhor saída. Tirar seu nome e deixar ela e o Voto enviarem a programação. O voto pode divulgar que o patrocinador é o escritório de advocacia Warde”, escreveu Ana Matos.

O patrocínio do escritório mencionado na conversa, contudo, não chegou a ser efetivado, uma vez que o evento acabou cancelado.

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Preocupação após sanções dos EUA

Em 30 de julho de 2025, quando o governo de Donald Trump anunciou sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky, as mensagens registraram preocupação com a realização do fórum.

Às 9h51 daquele dia, Ana Matos informou a Vorcaro que estava com Viviane Barci e que o ministro estava “ligando muitas vezes ao dia”. No dia seguinte, ela relatou preocupação de que outros ministros desistissem de participar do evento em razão da situação.

Moraes foi alvo das sanções em meio à pressão do governo americano por sua atuação no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Trump acusou o ministro de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e seus apoiadores.

A Lei Magnitsky prevê sanções financeiras e restrições de entrada nos Estados Unidos contra pessoas enquadradas nos critérios legais relacionados a corrupção ou violações graves de direitos humanos. No caso de Moraes, as medidas anunciadas pelo governo americano incluíram restrições financeiras.

Contratos milionários e investigação

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, Vorcaro teria consultado Moraes sobre uma possível saída do Brasil e pedido que o ministro intercedesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar impedir o avanço de investigações sobre supostas fraudes envolvendo o banco.

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O jornal também revelou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. A Polícia Federal teria encontrado ainda um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, entre o banqueiro e o escritório.

De acordo com as informações divulgadas, o pagamento relacionado ao segundo contrato teria sido feito por meio da transferência de cotas de duas aeronaves de Vorcaro. Os diálogos analisados pela investigação levantaram suspeitas sobre a natureza da operação.

Moraes negou ter trocado mensagens com o banqueiro e classificou as acusações como uma “farsa montada”. O ministro também afirmou que as alegações têm “motivação político-eleitoral” e são “criminosas mentiras”.

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