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A Favela do Moinho, localizada no Centro de São Paulo, era usada como base do Primeiro Comando da Capital (PCC) para o tráfico de drogas, extorsão de moradores e lavagem de dinheiro, segundo investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O local também abastecia a Cracolândia com entorpecentes.
De acordo com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, o grupo criminoso cobrava propina das famílias beneficiadas pelo programa habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). “Somente quem pagava os valores exigidos, que podiam chegar a R$ 100 mil por família, conseguia avançar no processo de cadastro e assinatura dos documentos para reassentamento”, afirmou.
As investigações apontam que Alessandra Lopes, irmã de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, liderava a cobrança das propinas e organizava manifestações públicas para dificultar a ação da polícia. Alessandra presidia uma ONG que representava os moradores e utilizava sua posição para reforçar a atuação criminosa dentro da comunidade.
Segundo o MP-SP, o PCC mantinha uma estratégia para blindar a favela contra os órgãos de segurança pública, manipulando e financiando movimentos sociais legítimos. “O crime organizado utiliza instigação por criminosos infiltrados e registra incidentes relacionados ao uso da força por parte de agentes públicos”, detalha o órgão.
Na última segunda-feira (8), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Militar deflagraram uma operação na Favela do Moinho. Foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão, dos quais sete prisões já foram cumpridas, além de duas pessoas presas em flagrante.
O esquema criminoso era comandado por Leonardo Monteiro Moja, preso preventivamente desde agosto de 2024, e pela família Moja, responsável por estruturar o controle da favela. O território, situado sob o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel, surgiu entre as décadas de 1980 e 1990 no terreno de um moinho desativado pertencente à União.
Desde abril, o governo estadual, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), tenta remover as mais de 900 famílias para a criação de um parque e o combate ao crime organizado. O acordo com o governo federal garante que cada núcleo familiar escolha um imóvel de até R$ 250 mil e receba auxílio-aluguel de R$ 1.200 durante a transição. Até esta sexta-feira (5), 537 famílias já foram reassentadas, segundo a CDHU.
O MP-SP detalhou a organização criminosa: o “quartel-general” era dividido em dois núcleos — um para manipulação de movimentos sociais e outro voltado ao tráfico de drogas. Torres da favela eram usadas para armazenar drogas e armas, enquanto casas-bomba serviam como depósitos. Telhados funcionavam como pontos de observação, e um ponto de venda escondia drogas em bueiros próximos.
O transporte de drogas era feito por carroceiros da própria comunidade, sob o pretexto de recolher materiais recicláveis. Alessandra Lopes administrava ao menos seis ferros-velhos que recebiam os entorpecentes.
A investigação também revelou que uma rede de hotéis no Centro de São Paulo, especialmente na Cracolândia, servia como centro de consumo de drogas, exploração sexual e lavagem de dinheiro, operada pelo PCC e pela família Moja. Léo do Moinho utilizava empresas formais, como a L.M. Moja Hotel e a Hospedaria Barão de Piracicaba, para dar aparência legal às atividades criminosas. Documentos apreendidos indicam que ele era o verdadeiro proprietário, e, em um flagrante, foram encontrados R$ 5 mil em espécie com comprovantes da rede hoteleira.
Segundo o MP-SP, o domínio da facção sobre a Favela do Moinho se consolidou devido ao abandono e à negligência do Estado.