Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão.
Um estudo publicado por pesquisadores Jiannan Xu, Gujie Li e Jane Y Jiang revelou que sistemas automatizados de seleção de currículos têm uma forte preferência por textos gerados por inteligência artificial, penalizando candidatos que escrevem seus próprios currículos de forma manual. A pesquisa foi intitulada “AI Self-preferencing in Algorithmic Hiring”.
🧹Aspirador vertical Philco por R$ 120: Confira as melhores ofertas do Mercado Livre hoje
Os resultados mostram que as IAs apresentam uma preferência de entre 67% e 82% por textos redigidos com estilos, vocabulário e formatos similares aos produzidos por outros modelos de inteligência artificial.
O impacto na seleção
Um candidato que utiliza a mesma IA que a empresa usa para analisar postulações pode ter até 60% mais chances de avançar no processo em comparação com uma pessoa de mesma capacidade e experiência, mas com currículo escrito manualmente.
Os pesquisadores explicam que os algoritmos consideram mais “claros”, “eficientes” ou “corretos” os textos que se alinham com seus próprios padrões linguísticos. Como resultado, expressões naturais e pessoais da escrita humana podem ser interpretadas como menos adequadas.
Setores mais afetados
O fenômeno foi detectado em diferentes setores, mas ocorre com maior incidência em áreas administrativas e empresariais, como:
-
Contabilidade
-
Vendas
-
Gestão corporativa
Nestes casos, a IA tende a descartar rapidamente currículos com estilos menos estandardizados, mesmo que os candidatos atendam aos requisitos da vaga.
Riscos da automatização excessiva
Segundo o estudo, a automatização excessiva pode levar a:
-
Empresas deixarem vagas sem preencher, pois o sistema continua buscando um perfil “ideal” baseado em padrões gerados pela própria IA
-
Candidatos qualificados sendo excluídos simplesmente por não utilizarem ferramentas de IA para redigir seus currículos
-
A IA se tornar uma “barreira invisível” que favorece quem sabe otimizar postulações para algoritmos, em vez de avaliar talento ou experiência
Soluções propostas
Os autores afirmam que o problema pode ser corrigido:
-
Reduzir a rigidez dos algoritmos
-
Modificar os critérios de avaliação para que os sistemas reconheçam estilos de redação humanos mais diversos
-
Manter supervisão humana nas etapas críticas de contratação
-
Evitar que as decisões dependam exclusivamente de ferramentas automatizadas
Conclusão
Os pesquisadores advertem que as empresas precisarão encontrar um equilíbrio entre automação e critério humano. Caso contrário, a inteligência artificial pode acabar contratando perfis projetados para agradar outras máquinas, deixando de lado candidatos reais com capacidades e experiência valiosas.
