Economia

Haddad diz que governo deve decidir até sexta como compensar recuo parcial no aumento do IOF

Foto: Diogo Zacarias/MF

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (26) que o governo deve tomar uma decisão “até o final da semana” para compensar o recuo parcial no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado na última quinta-feira (22).

“Nós temos até o final da semana para decidir como compensar. Se com mais contingenciamento ou com alguma substituição. Até o final da semana, vamos tomar essa decisão”, explicou Haddad.

Na semana passada, horas após anunciar um congelamento de R$ 31,3 bilhões no Orçamento e o aumento do IOF para cumprir a meta fiscal, a Fazenda voltou atrás em dois pontos do imposto. Manteve a alíquota zero (que seria de 3,5%) sobre aplicações nacionais de investimentos em fundos no exterior e reduziu para 1,1% (em vez de 3,5%) a alíquota sobre remessas de pessoas físicas enviadas para contas no exterior para investimento.

Custo do Crédito e Críticas à Selic

Questionado por uma jornalista sobre o impacto na indústria e a reclamação de empresas sobre o aumento do custo do crédito, Haddad associou a questão à taxa básica de juros, a Selic. “Quando sobe Selic, aumenta custo do crédito. É igual”, disse o titular da Fazenda. “Mas quando aumenta Selic, aumenta custo de crédito e nem por isso os empresários deixam de compreender a necessidade da medida”, continuou o ministro.

Hoje, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, minimizou a alta do IOF, mas criticou o patamar da Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Nesse sentido, Haddad falou que “queremos resolver isso o quanto antes, o fiscal e o monetário, para voltar a patamares adequados tanto de tributação quanto de taxas de juros para o país continuar crescendo”.

O ministro também ressaltou que o Brasil “está crescendo mais do que no período anterior” e voltou a apontar, como na coletiva de sexta (23), que “alíquotas do IOF do governo anterior [do ex-presidente Jair Bolsonaro] eram bem maiores”.

Marco Fiscal e Recado da Câmara

Um jornalista perguntou a Haddad sobre a viabilidade de redução de gastos em 2026, ano de eleições. Haddad declarou que o “marco fiscal está sendo reforçado pelas medidas”. “Nós temos até 2,5% de aumento real do gasto público, de teto. É daí para menos. Nós vamos seguir a regra fiscal conforme combinado com o Congresso Nacional”, completou.

Também nesta segunda (26), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mandou um recado direto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre impostos, sem citar o aumento do IOF.

Na rede social X (antigo Twitter), Motta afirmou que “o Executivo não pode gastar sem freio e depois passar o volante para o Congresso segurar”. “O Brasil não precisa de mais imposto. Precisa de menos desperdício”, continuou, reforçando que a Câmara “tem sido parceira do Brasil ajudando a aprovar os bons projetos que chegam do Executivo e assim continuaremos”.

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