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A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou nesta quinta-feira (11) a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2025. A estimativa subiu de 2,4% para 2,5%, conforme divulgado no Boletim Macrofiscal bimestral da pasta. A projeção, no entanto, ainda não considera os impactos da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Segundo o documento, o principal fator que sustentou a revisão para cima foi a resiliência do mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego caiu para 6,2% no trimestre encerrado em maio — o menor patamar para o período desde o início da série histórica, em 2012.
O boletim destaca também um desempenho melhor do que o esperado no consumo das famílias, mesmo com a taxa básica de juros (Selic) ainda elevada. “O crescimento esperado para a agropecuária também foi revisado para cima, repercutindo principalmente a alta nas estimativas do IBGE para produção de milho, café, algodão e arroz em 2025”, informou a secretaria.
Apesar do otimismo, a SPE projeta desaceleração da economia no segundo trimestre deste ano. Após avanço de 1,4% entre janeiro e março, o PIB deve crescer 0,6% de abril a junho, refletindo especialmente o desaquecimento do setor agropecuário.
A nova previsão do governo está acima das estimativas do mercado financeiro, cuja mediana aponta para crescimento de 2,23% em 2025. O Banco Central, por sua vez, projeta um crescimento ainda menor: 2,1%, de acordo com o último relatório divulgado em junho.
Incertezas externas
O boletim também aponta preocupações com o cenário internacional. A equipe econômica considera que há “riscos relacionados à imposição de política comercial mais disruptiva por parte dos Estados Unidos”, especialmente após o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados.
De acordo com o relatório, a sobretaxação “tem razões apenas políticas” e provoca “grande insegurança”. A avaliação, contudo, é que os efeitos da medida devem ser concentrados em “setores específicos”, com impacto limitado sobre o crescimento econômico como um todo em 2025.
A SPE ressalta ainda que o ambiente fiscal nos Estados Unidos também inspira cautela. “A perspectiva de maior deterioração fiscal nos EUA tem contribuído para elevar novamente a incerteza”, afirma o boletim.