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As exportações brasileiras de carne para os Estados Unidos sofreram uma forte queda nos últimos três meses, mesmo antes da entrada em vigor da nova rodada de tarifas comerciais anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump, prevista para o dia 1º de agosto.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e reunidos pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que o volume de carne vendida aos EUA despencou significativamente entre abril e julho deste ano.
Em abril, o Brasil exportou 47,8 mil toneladas de carne para o mercado norte-americano. Esse volume caiu para 27,4 mil toneladas em maio, 19,2 mil toneladas em junho e chegou a apenas 9,7 mil toneladas em julho – considerando apenas os primeiros 20 dias do mês. A redução acumulada é de 79,7% em relação ao volume exportado em abril.
O governo dos EUA anunciou que, a partir de 1º de agosto, serão aplicadas tarifas extras de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil, em adição às tarifas setoriais já vigentes sobre aço e alumínio. Até o momento, não há sinais de negociações para um possível acordo comercial ou prorrogação do prazo.
Enquanto as exportações brasileiras caem, os preços dos produtos brasileiros nos Estados Unidos seguem subindo. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA indica que, em junho, a carne moída teve alta de 1,4% no mês e acumula aumento de 9% no ano. A laranja subiu 4,4% e o café 2,2% no mesmo período, antes mesmo do anúncio das tarifas adicionais.
Especialistas americanos apontam que a carne tem se tornado “o novo ovo” da inflação, referência ao aumento expressivo nos preços dos ovos causado pela gripe aviária nos EUA.
O presidente Donald Trump justificou o aumento das tarifas ao Brasil citando “ataques insidiosos” contra eleições livres no país. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump criticou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022.
Em abril, o Brasil já havia sofrido uma primeira rodada de tarifas impostas por Trump, que elevou em 10% os impostos sobre produtos brasileiros. Além disso, as tarifas setoriais de 50% sobre aço e alumínio seguem impactando a balança comercial.
Com a nova escalada tarifária, o setor exportador brasileiro enfrenta desafios crescentes para manter a competitividade no mercado norte-americano, principal destino das carnes brasileiras.