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O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, afirmou que o setor saiu “frustrado” e “decepcionado” da reunião realizada nesta segunda-feira (4) com cinco ministros do governo federal para tratar de medidas de socorro às empresas afetadas pelo tarifaço. Segundo ele, o encontro não trouxe nenhuma solução concreta para mitigar os impactos da medida sobre os produtores.
“O tempo da gente não é de médio prazo, é de curto prazo. Não adianta o governo ter urgência e a gente não ser socorrido. Tem que ser para ontem”, declarou Lobo a jornalistas após a reunião, que contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, e dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), André de Paula (Pesca) e Rui Costa (Casa Civil).
Lobo lamentou que o encontro tenha repetido os mesmos pontos discutidos anteriormente. “A reunião foi o mais do mesmo. Tivemos há quase 10 dias uma reunião e se repetiram as demandas setoriais. O governo repete que está em negociação (…), mas para o setor produtivo não veio nenhuma medida eficaz, nenhuma medida que mitigue o problema, que é manutenção dos empregos e da produção”, afirmou.
O representante da Abipesca destacou que o setor de pescados esperava ser excluído da lista de produtos atingidos pelo tarifaço, o que não ocorreu. “É muito frustrante momentaneamente. Reconhecemos que existe uma preocupação, mas uma medida efetiva não chegou ainda para o setor, principalmente para o setor de pescados, que tinha grande expectativa de ser excluído da lista, ficou na lista e não veio nenhuma medida mitigadora para nos ajudar”, completou.
Lobo também mencionou divergências entre ministros sobre como os Estados Unidos trataram exceções em sua própria política tarifária. Segundo ele, enquanto algumas autoridades brasileiras afirmam que os quase 700 itens isentos da cobrança de 50% foram fruto de negociação, outras sustentam que a exclusão foi uma decisão unilateral do governo Donald Trump.
Para o presidente da Abipesca, o plano de contingência prometido pelo governo brasileiro para amenizar os efeitos do tarifaço está sendo implementado de forma lenta. “A gente precisa de uma solução para os próximos 15 dias, não para daqui a 6 meses”, cobrou.
“São medidas que vão levar tempo, tem procedimento legal para aquisição, são meses. Isso não resolve. O setor está se organizando para ter alternativas de mercado, mas a gente precisa de solução para os próximos 15 dias, não para daqui a seis meses”, reforçou. “Saio otimista com meu setor, mas decepcionado, porque achei que hoje o governo traria uma coisa mais concreta e plausível”, concluiu Lobo.