Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quinta-feira (7) que o governo concluiu o plano de contingência para proteger setores impactados pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A proposta foi finalizada na quarta-feira (6) e apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é que as medidas sejam divulgadas até terça-feira (12).
Segundo Alckmin, o plano tem como foco as empresas mais prejudicadas pela nova taxa, especialmente aquelas com maior volume de exportações para o mercado norte-americano. “Mais da metade das exportações brasileiras foram excluídas, sendo que 45% estão fora da ordem executiva, em torno de 18% estão na seção 2-3-2, igual à nossa alíquota e ao mundo. Isso não perde a competitividade. Mas em torno do 37% a 38%, aí fica 10% mais 40%, aí é um nível de alíquota altíssima”, afirmou.
O vice-presidente explicou que será feita uma análise setorial, já que alguns segmentos dependem mais do mercado interno, enquanto outros, como no caso do Ceará, têm forte presença nas vendas externas para os EUA. O objetivo do governo é reduzir as alíquotas e excluir o maior número possível de produtos da taxação, além de implementar medidas emergenciais para apoiar as empresas mais impactadas.
Apesar da entrada em vigor da medida, Alckmin destacou que o Brasil mantém diálogo com Washington. Ele classificou a decisão do ex-presidente Donald Trump como um prejuízo mútuo: “É uma coisa ruim também para os Estados Unidos, que vai encarecer os produtos americanos, rompe cadeias produtivas. Se você pegar o caso do aço, nós somos o terceiro importador do carvão siderúrgico. Fazemos o aço semiplano e vendemos para os Estados Unidos, que faz o automóvel, a máquina, o equipamento, o avião. Então você tem uma cadeia que acaba sendo encarecida.”
Nesta quinta-feira, Alckmin se reuniu com o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar. No encontro, foram discutidas possibilidades de negociação envolvendo data centers, big techs e minerais estratégicos.
A tarifa de 50% passou a valer na quarta-feira (6), por meio de ordem executiva assinada por Trump. A Casa Branca justificou a decisão alegando que o Brasil representa uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional e à economia americana — argumento rebatido por autoridades brasileiras.
Segundo o governo, cerca de 35,9% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas pela nova taxação. Entre os produtos que ficaram de fora estão suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e itens energéticos.