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O preço do café no Brasil deve subir entre 10% e 15% entre o fim de setembro e o início de outubro, segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). Em agosto, o valor médio do quilo de café tradicional chegou a R$ 62,83, mais de R$ 20 acima do registrado no mesmo mês do ano passado, marcando o maior preço da série histórica, iniciada em 1997.
A Abic explica que a alta se deve ao menor estoque mundial de café da história, resultado das condições climáticas adversas que prejudicam o cultivo desde 2021. Chuvas irregulares e tempestades afetaram especialmente a produção de café arábica, reduzindo a oferta e elevando os preços no mercado nacional.
Segundo a associação, os preços devem começar a cair apenas em 2026, caso o clima se torne mais favorável ao plantio, com chuvas e temperaturas estáveis, aumentando os estoques e a circulação de café.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que a exportação de café brasileiro para os Estados Unidos caiu 26% entre julho e agosto deste ano, após a imposição de tarifas elevadas pelo país. Em agosto, o quilo de café chegou a R$ 100 nos EUA, o maior valor histórico, equivalente a US$ 19,56, segundo dados do Federal Reserve Economic Data (FRED).
A alta do preço internacional fez com que os brasileiros passassem a comprar menos café e optar por categorias mais baratas, mas o consumo não deixou de existir: a Abic estima que 97% dos lares brasileiros consomem café, e a queda acumulada desde janeiro de 2025 foi de 5,41%.
A indústria vê com otimismo a possibilidade de redução ou até isenção das tarifas de exportação aos Estados Unidos, que é o principal comprador do café brasileiro. A perspectiva ganhou força após declarações do presidente Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, em que afirmou ter uma boa impressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que deve conversar com ele ainda nesta semana.
O anúncio gerou reação imediata nos mercados: o dólar caiu 1,10% e o Ibovespa subiu 0,91%, refletindo a expectativa de redução dos impostos de 50% sobre produtos brasileiros. A indústria cafeeira brasileira considera a notícia positiva e enxerga possibilidade até de isenção total das tarifas, o que poderia impactar positivamente os preços internacionais e a competitividade do café brasileiro.