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A comunidade de jogadores especializados em velocidade, conhecidos como speedrunners, revelou uma nova técnica inédita em Super Mario Bros., um dos títulos mais icônicos da história dos videogames. A descoberta surpreende especialistas por surgir décadas após o lançamento do jogo, que já era considerado totalmente explorado.
O achado ganhou destaque após um vídeo publicado por um usuário nas redes sociais mostrar uma falha incomum durante uma partida de Super Mario Bros.: The Lost Levels, disponível no serviço Nintendo Switch Online. Nas imagens, o jogo travava inesperadamente em uma fase de castelo — algo que, para a maioria dos jogadores, poderia passar despercebido, mas que chamou a atenção da comunidade especializada.
A partir do vídeo, jogadores experientes passaram a investigar o comportamento do jogo e levantaram a hipótese de que o erro poderia estar ligado a um fenômeno mais complexo conhecido como “execução de código arbitrário” (ACE, na sigla em inglês). A técnica permite, na prática, manipular a memória do jogo em tempo real, alterando seu funcionamento original sem a necessidade de modificações externas ou hacks.
O speedrunner Kosmic foi um dos principais responsáveis por documentar e aprofundar a descoberta. Segundo ele e outros especialistas, a técnica abre caminho para possibilidades antes consideradas impossíveis dentro do jogo clássico.
Embora o conceito de ACE já seja conhecido em outros títulos antigos, como Pokémon Red and Blue, sua aplicação em Super Mario Bros. era vista como inviável devido às limitações técnicas do console Nintendo Entertainment System. Por isso, a descoberta representa um marco importante para a comunidade.
Na prática, a técnica permite realizar feitos surpreendentes dentro do jogo, como acessar qualquer fase, ativar a tela de créditos a qualquer momento, gerar efeitos incomuns — como “chuvas” de moedas — ou até fazer o personagem nadar no ar. Tudo isso ocorre durante uma partida comum, sem qualquer modificação externa.
Para chegar a esse resultado, os jogadores realizaram uma série de testes complexos e repetitivos. A chave do processo foi encontrada no chamado “mundo negativo” da versão japonesa do jogo, lançada para o Famicom Disk System. Nesse ambiente, é possível executar uma sequência extremamente precisa de ações envolvendo inimigos e elementos do cenário, alterando a memória do jogo de forma controlada.
Apesar da complexidade, a descoberta não altera a experiência da maioria dos jogadores. Para quem joga de forma casual, o título continua funcionando normalmente. No entanto, para speedrunners e entusiastas de engenharia reversa, trata-se de uma inovação significativa.
A técnica também abre novas possibilidades para competições, permitindo explorar caminhos inéditos e redefinir estratégias dentro do jogo. Além disso, reforça a ideia de que, mesmo após décadas de análise, clássicos dos videogames ainda podem esconder segredos.
Para Kosmic, o maior valor da descoberta não está apenas em sua aplicação prática, mas no desafio superado pela comunidade. O feito demonstra que, com dedicação e análise minuciosa, ainda é possível encontrar novidades até mesmo nos jogos mais estudados da história.