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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta terça-feira (15) que o governo brasileiro não pedirá mais prazo aos Estados Unidos para negociar as tarifas extraordinárias de 50% impostas pelo presidente americano Donald Trump sobre exportações nacionais. Em reunião com representantes da indústria brasileira, Alckmin defendeu uma abordagem rápida e coordenada com o setor produtivo para evitar prejuízos bilaterais.
“O prazo é exíguo, mas vamos trabalhar dentro dele para apresentar propostas de negociação”, disse Alckmin em coletiva após o encontro. Segundo ele, empresários brasileiros já estão se mobilizando para buscar diálogo direto com seus pares nos Estados Unidos, numa tentativa de reverter a medida antes de sua entrada em vigor, marcada para o dia 1º de agosto.
A estratégia do governo federal será conduzida pelo Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, criado recentemente para coordenar as ações frente à decisão americana. Um dos primeiros passos foi o envio, no dia 16 de maio, de uma carta confidencial à Casa Branca, propondo uma negociação sobre o tema — até o momento, sem resposta oficial dos EUA.
Indústria apoia atuação rápida
Apesar de um pedido inicial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para que o governo buscasse um prazo adicional de 90 dias, o setor industrial decidiu apoiar o cronograma mais apertado. “Se pudermos resolver antes de 1º de agosto, essa estabilidade é melhor para todos”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alvarez Alban. “Estender o prazo sem evolução concreta manteria os mesmos problemas daqui a três meses. O que temos aqui é um verdadeiro perde-perde.”
Alckmin, por sua vez, destacou que o governo está engajado em reverter a medida, ressaltando que a relação comercial entre os dois países é fortemente interdependente. De janeiro a junho, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 34%, enquanto as exportações americanas para o Brasil subiram 11,48% — índice que bateu recorde.
“O Brasil não tem superávit com os Estados Unidos. Pelo contrário. Dos dez produtos que eles mais exportam, oito têm tarifa zero”, observou o vice-presidente, acrescentando que a tarifa média aplicada pelo Brasil é de apenas 2,7%. “Vamos trabalhar juntos com a iniciativa privada para construir soluções”.
Governo intensifica diálogo
Além de Alckmin, participaram da reunião outros membros do alto escalão do governo federal, como os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), as ministras Simone Tebet (Planejamento), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e a chanceler interina Maria Laura da Rocha (Relações Exteriores). Também estiveram presentes associações setoriais e empresas exportadoras.
Nos próximos dias, o governo espera receber mais propostas de setores impactados pelas novas tarifas e acelerar as conversas com empresários americanos. A abertura de novos mercados, por enquanto, não está no foco, já que o esforço atual é concentrado em tentar manter os fluxos comerciais com os EUA em condições equilibradas.
“O canal de diálogo com os EUA sempre existiu e esperamos que seja retomado o quanto antes”, concluiu Alckmin.