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đ§Ą Ver Ofertas na ShopeeO Peru estĂĄ sem presidente apĂłs a renĂșncia de Manuel Merino em meio a protestos apenas cinco dias depois de assumir o poder, e tambĂ©m ficou sem comando no Congresso apĂłs a renĂșncia dos integrantes de sua mesa diretora. Uma votação para escolher o novo presidente vai ser realizada no Congresso nesta segunda-feira (16) a partir das 14h (16h de BrasĂlia), hora local. As candidaturas devem ser entregues atĂ© Ă s 13h.
Com 52 votos contra, o Parlamento permitiu que o Peru continuasse sem Executivo ou Legislativo. Poucas horas apĂłs a renĂșncia de Manuel Merino a mesa diretora do Congresso, liderada por Luis Valdez, tambĂ©m renunciou, o que deixou temporariamente o paĂs andino sem autoridades nos poderes Executivo e Legislativo.
Durante a noite, o Congresso nĂŁo chegou a um acordo para a eleição como nova presidente do Peru a parlamentar de esquerda RocĂo Silva Santisteban, que supostamente era uma candidata de consenso. Ela precisava de 60 votos e recebeu apenas 42, com 52 votos contrĂĄrios e 25 abstençÔes.
Na lista Ășnica de Silva Santisteban estava como nĂșmero dois o parlamentar Morado Francisco Sagasti, do partido centrista Morado, o que significa que ele seria o presidente do Parlamento.
Isto levou a uma reuniĂŁo a portas fechadas entre os lĂderes das bancadas para buscar uma maneira de superar a paralisação, enquanto milhares de manifestantes permaneciam pacificamente nas ruas.
A renĂșncia de Merino provocou uma grande celebração nas ruas, apĂłs vĂĄrios dias de protestos que foram violentamente reprimidos pela polĂcia e que deixaram dois mortos e mais de 100 feridos.
âQuero tornar pĂșblico para todo paĂs que apresento minha renĂșncia irrevogĂĄvel ao cargo de presidente da RepĂșblicaâ, declarou Merino em uma mensagem ao paĂs transmitida pela televisĂŁo.
Ministros de Merino também renunciaram
Merino tinha substituĂdo na terça-feira (10) o popular presidente MartĂn Vizcarra, um dia depois que ele foi destituĂdo pelo Congresso por suposto caso de corrupção. O Congresso deve agora nomear um novo presidente, que consiga pacificar o paĂs.
O escolhido serĂĄ o terceiro presidente em menos de uma semana, em um paĂs duramente atingido pela pandemia do coronavĂrus e pela recessĂŁo econĂŽmica, que mergulhou em uma crise polĂtica quando o Parlamento removeu o presidente popular MartĂn Vizcarra em um julgamento a jato na segunda-feira.
Merino, um centro-direitista de 59 anos, disse que para que nĂŁo aconteça um âvazio de poderâ, os 18 ministros escolhidos por ele na quinta-feira serĂŁo mantidos em seus cargos, ainda que praticamente todos tenham renunciado apĂłs a repressĂŁo aos manifestantes no sĂĄbado.
O fugaz governante anunciou sua renĂșncia pouco depois do meio-dia de domingo (14h em BrasĂlia).
Assim que Merino fez o anĂșncio, as ruas de Lima se encheram de manifestantes que faziam panelaços e gritavam em meio a uma comemoração. âConseguimos. Percebem o que somos capazes de fazer?â, escreveu nas redes sociais o jogador peruano de futebol, Renato Tapia.
Vizcarra comemora renĂșncia
O ex-presidente Vizcarra comemorou a renĂșncia do presidente e pediu para que o Tribunal Constitucional se pronuncie o mais rĂĄpido possĂvel sobre sua destituição ocorrida em 9 de novembro. âUm pequeno ditador saiu do PalĂĄcio. Merino se afastou. Ele estava quebrando nossa democraciaâ, disse Vizcarra Ă imprensa.
As manifestaçÔes do sĂĄbado (14) deixaram dois mortos e 94 feridos, segundo autoridades do MinistĂ©rio da SaĂșde. PorĂ©m, a Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos afirmou que ao todo foram 112 feridos, acrescentando que tambĂ©m hĂĄ 41 manifestantes âdesaparecidosâ apĂłs as passeatas em Lima e outras cidades do paĂs.
A repressĂŁo a esses protestos custou o pouco apoio polĂtico que tinha Merino. O presidente do Congresso, Luis Valdez, exigiu sua ârenĂșncia imediataâ, somando-se ao pedido dos milhares de manifestantes desde terça-feira.
âO Congresso deve pedir desculpas ao paĂs por uma decisĂŁo tĂŁo irresponsĂĄvel (de destituir Vizcarra)â, afirmou a parlamentar de esquerda Mirtha VĂĄsquez, da Frente Ampla, um dos 19 parlamentares que votaram contra a saĂda de Vizcarra.
Merino, um polĂtico provinciano quase desconhecido dos peruanos atĂ© assumir o cargo, foi criticado por figuras de seu prĂłprio partido â o Ação Popular, de centro-direita â como o prefeito de Lima, Jorge Muñoz.
Os mortos nas manifestaçÔes de sĂĄbado foram identificados como Jack Bryan Pintado SĂĄnchez, de 22 anos, e Inti Sotelo Camargo, de 24 anos, segundo a polĂcia. Fotos de ambos circulam nas redes sociais com a legenda âHerĂłis do BicentenĂĄrioâ (que o Peru completarĂĄ em 28 de julho de 2021).
CrĂticas internacionais
A ação policial foi duramente criticada pela ONU e por organizaçÔes de direitos humanos, como a Anistia Internacional, desde que os protestos começaram na terça-feira, dia em que Merino tomou posse.
A ComissĂŁo Interamericana de Direitos Humanos (CICH), entidade da Organização dos Estados Americanos, lamentou a morte dos dois manifestantes âdurante açÔes de repressĂŁo estatal a protestos em massaâ e exigiu âuma investigação imediata dos fatos e estabelecimento de responsabilidadesâ.
âNĂŁo tenho responsabilidade pela violĂȘnciaâ, declarou o nĂșmero dois do governo, o primeiro-ministro Ăntero Flores-ArĂĄoz, neste domingo.
Da AFP, com RFI