Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
Na quinta-feira (27), o Banco Central da Argentina decidiu elevar a taxa de juros da política monetária em 1.000 pontos-base , que serve de referência para toda a economia. Dessa forma, a taxa nominal do Leliq de 28 dias passará de 81% para 91%, na busca de estabelecer rendimentos iguais à inflação crescente, que em março chegou a 7,7%.
Com esse novo aumento, a taxa básica de juros ultrapassou o máximo atingido durante o governo de Mauricio Macri. Em setembro de 2019, após a forte alta do dólar ocorrida após as eleições do PASO, o BCRA havia elevado a taxa de juros para 86% nominal. Com a alta de hoje, esse recorde foi superado e a cotação dos títulos emitidos pelo Banco Central é a maior em 20 anos, superada apenas pelos recordes do início de 2002, no final da conversibilidade.
“A decisão da autoridade monetária tem como objetivo buscar retornos reais positivos dos investimentos em moeda local e atuar para preservar a estabilidade monetária e financeira. O BCRA continuará monitorando a evolução do nível geral de preços, a dinâmica dos mercados financeiro e cambial e dos agregados monetários com o objetivo de calibrar sua política de taxas”, afirmou o BCRA em comunicado.
O mesmo aumento será aplicado a prazos fixos para pessoas físicas, que terão uma rentabilidade nominal de 91% que chegará a 141% ao ano em termos efetivos, ou seja, se o depositante reinvestir o capital e juros todos os meses por um período de tempo. A partir de amanhã, o prazo fixo de varejo de 30 dias para pessoa física renderá 7,6%, quase a mesma inflação do mês passado.
Ao mesmo tempo, para conter o máximo possível de pesos e evitar que eles caminhem para o dólar, o Banco Central também modificou a condição de “varejo” para os depósitos. Essa nova taxa mínima garantida será aplicada a prazos fixos inferiores a US$ 30 milhões, teto que até hoje era de apenas US$ 10 milhões. Para os demais prazos fixos do setor privado, a alíquota mínima será de 85,5% (até hoje era de 72,5%), o que equivale a uma alíquota efetiva de 128,5%.
O dilema BCRA
A última alta de juros havia ocorrido há apenas uma semana, o que dá uma ideia da excepcionalidade da situação. A Diretoria do BCRA, como fez na última quinta-feira, dia 20, depois de conhecer o IPC de março, sempre muda a taxa depois de conhecer os dados da inflação. Desta vez, o cenário crítico não permitiu que ele esperasse tanto. A inflação de abril, um número quase incerto para os analistas neste momento, só será conhecida em 12 de maio.
Diante do cenário atual, a decisão de elevar as taxas torna-se mais do que esperada para o Banco Central cumprir o objetivo de servir de contrapeso a dois perigos: a alta constante dos preços e a forte dolarização das duas últimas semanas, que levaram a livre dólar a atingir o pico de US$ 495 e o próprio Banco Central a acelerar o ritmo de valorização do dólar oficial.
Mas o que se espera nem sempre se ajusta aos desequilíbrios da economia argentina. E a diretoria do Banco Central, como há uma semana, mais uma vez se deparou com um dilema. Se a taxa subir, pode ajudar a conter a inflação e manter os poupadores em pesos; mas, ao mesmo tempo, uma taxa mais alta implica em encarecer sua própria dívida, através do Leliq e dos passes, seus passivos remunerados.
Os ressentimentos entre o Ministério da Economia e o BCRA que surgiram nos últimos dias também residem nesta complexa decisão, amenizada pelas fotos compartilhadas por Sergio Massa e Miguel Pesce. Junto ao ministro dizia-se que o aumento de 78% para 81% aplicado na semana passada foi insuficiente. A subsequente disparada do dólar, contida pela intervenção com títulos e pela ativação do swap com o Banco Central da China, convenceu a Central a aplicar uma alta mais poderosa.
Hoje são 13,1 trilhões de pesos em Leliq e repos passivos, a dívida do Banco Central que está nas mãos dos bancos e, ao mesmo tempo, é o lastro dos depósitos do setor privado. Com a taxa de 81%, os analistas calcularam que a Central emitiria 1 trilhão de pesos por mês para pagar os juros desses compromissos. Uma semana depois, aquele número gigantesco já soa velho. Com a nova taxa, estima-se que terá de pagar juros de US$ 18 trilhões em um ano, o que implica mais emissão e, portanto, mais pressão sobre a inflação.
Com a taxa de 91% “em um ano seriam emitidos US$ 18 trilhões, o que implica que seriam necessários 4 meses para dobrar a base monetária atual (quantidade de pesos em circulação), apenas juros.,Ou seja, em um ano teríamos 3,5 novas bases monetárias. O que gera isso? Expectativa de que mais pesos sejam jogados na rua, em algum momento futuro. Isso pressiona os preços”, disse o economista argentino Juan Ignacio Paolicchi no Twitter.
Com informações da Infobae