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As Forças Armadas de Israel realizaram na madrugada desta segunda-feira (7) uma série de bombardeios aéreos contra portos e instalações no Iêmen controladas pelos rebeldes hutis. A ofensiva ocorreu após o ataque, no domingo (6), a um navio cargueiro de bandeira liberiana no Mar Vermelho, que foi atingido, incendiado e abandonado pela tripulação.
Segundo uma empresa de segurança marítima, a embarcação Magic Seas foi alvo de lanchas não tripuladas carregadas com explosivos, além de disparos com armas leves e lançadores de granadas. Embora meios de comunicação ligados aos hutis tenham mencionado o ataque, o grupo não assumiu formalmente a autoria. Em outros episódios, os rebeldes demoraram dias para reivindicar ações similares.
Em resposta, Israel bombardeou os portos de Hodeida, Ras Isa e Salif, sob controle huti, além da usina de energia de Ras Kanatib. O Exército israelense divulgou imagens de um caça F-16 decolando para realizar os ataques, que, segundo Tel Aviv, foram precedidos por um aviso oficial.
“Esses portos são utilizados pelo regime terrorista huti para transferir armas do regime iraniano, que são então usadas em operações terroristas contra Israel e seus aliados”, afirmou o Exército em comunicado.
Israel também atacou o navio Galaxy Leader, capturado pelos hutis em novembro de 2023, no início de sua campanha contra o tráfego comercial no Mar Vermelho. De acordo com as autoridades israelenses, os rebeldes instalaram um radar no navio para monitorar embarcações em águas internacionais e planejar novas ofensivas. O navio, com bandeira das Bahamas, pertence a um empresário israelense, mas não transportava cidadãos de Israel e era operado por uma empresa japonesa.
Após os bombardeios, os hutis retaliaram lançando mísseis contra o território israelense. O Exército israelense informou que tentou interceptar dois projéteis, mas ambos teriam atingido o solo — não houve registro de feridos. Sirenes de alerta foram acionadas na Cisjordânia e na região do Mar Morto.
O porta-voz militar huti, general Yahya Saree, declarou que as defesas aéreas do grupo responderam aos ataques israelenses e afirmou que os rebeldes lançaram drones e mísseis na ofensiva. “Estamos totalmente preparados para uma confrontação prolongada e para impedir qualquer tentativa de romper o bloqueio naval imposto por nossas forças”, disse ele, sem apresentar provas.
Navio atacado precisou ser evacuado
O Magic Seas, um graneleiro que seguia em direção ao Canal de Suez, foi atacado a cerca de 100 km ao sudoeste de Hodeida. O Centro de Operações Marítimas do Reino Unido informou que a tripulação respondeu inicialmente ao ataque com disparos, mas a embarcação foi posteriormente atingida por outros projéteis. Dois drones atingiram o navio, e outros dois foram destruídos por seguranças a bordo, segundo a empresa de segurança Ambrey.
Com a embarcação fazendo água, os tripulantes abandonaram o navio e foram resgatados por outro cargueiro que passava pela região.
O ministro da Informação do governo iemenita no exílio, Moammar al-Eryani, culpou os hutis pelo ataque e afirmou que o incidente reforça a ideia de que o grupo age como “braço do plano iraniano para desestabilizar a região e a ordem global”.
Conflito regional em escalada
A nova ofensiva ocorre em um momento delicado no Oriente Médio. Enquanto um cessar-fogo entre Israel e o Hamas ainda não foi alcançado, o Irã avalia retomar negociações sobre seu programa nuclear após bombardeios norte-americanos contra instalações sensíveis. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está a caminho de Washington para se reunir com o ex-presidente Donald Trump.
Israel já realizou diversos ataques contra posições hutis no Iêmen, incluindo um bombardeio naval em junho. Embora os EUA tenham liderado ações conjuntas com aliados no passado — como uma ofensiva em abril que matou 74 pessoas —, atualmente Tel Aviv atua de forma independente.
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, afirmou que o país continuará reagindo com força. “O que vale para o Irã, vale para o Iêmen. Quem levantar a mão contra Israel terá essa mão cortada”, declarou.
Ataques hutis desde 2023
Desde novembro de 2023, os hutis já lançaram mais de 100 ataques contra embarcações comerciais e militares no Mar Vermelho, como forma de pressionar pelo fim da ofensiva israelense em Gaza. Dois navios foram afundados e quatro marinheiros morreram.
A campanha provocou uma redução significativa no tráfego marítimo pelo corredor do Mar Vermelho — por onde transitam anualmente mercadorias avaliadas em cerca de US$ 1 trilhão. Após uma pausa nos ataques motivada por uma ofensiva dos EUA em março, os rebeldes retomaram os disparos esporádicos de mísseis contra Israel, mantendo a tensão elevada na região.
(AP)