Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
Israel realizou neste domingo (27) seu primeiro lançamento aéreo de ajuda humanitária na Faixa de Gaza desde o início da guerra contra o Hamas, iniciada em outubro de 2023. A medida ocorre após forte pressão internacional por mudanças na política israelense de bloqueio à assistência humanitária.
Além do lançamento — que incluiu sete pacotes com farinha, açúcar e alimentos enlatados — Israel anunciou pausas humanitárias em áreas densamente povoadas do território palestino, além da criação de corredores seguros para que a ONU distribua alimentos e medicamentos. Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), a operação foi coordenada com organizações internacionais e seguiu “diretrizes do escalão político”.
A medida marca uma mudança de postura de Jerusalém, que entre março e maio bloqueou toda ajuda à região e preferiu apoiar entregas feitas por contratados americanos em áreas designadas — prática que gerou críticas, após relatos de que centenas de palestinos morreram ao tentar acessar os carregamentos de ajuda.
O Exército israelense afirma que mais de 250 caminhões com suprimentos humanitários foram descarregados esta semana nas passagens de Kerem Shalom e Zikim, e que cerca de 600 carregamentos já foram distribuídos. Também foi ativada uma linha elétrica para abastecer uma usina de dessalinização no sul de Gaza, com capacidade de fornecer água a cerca de 900 mil pessoas.
Apesar da intensificação da ajuda, o governo de Israel rechaça as acusações de fome deliberada em Gaza, atribuindo a responsabilidade pela distribuição à ONU e a outras entidades internacionais. “A IDF continuará combatendo o Hamas para libertar os reféns e desmantelar a infraestrutura terrorista”, disse o comunicado militar.
A decisão gerou críticas internas. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, da extrema-direita, disse ter sido excluído de uma reunião decisiva no sábado e acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de ceder à “falsa campanha de fome promovida pelo Hamas”. Para Ben Gvir, a ajuda coloca soldados israelenses em risco e a única forma de vencer seria “parar totalmente com a ajuda humanitária, ocupar toda a Faixa de Gaza e incentivar a migração voluntária”.
A comunidade internacional continua pressionando por mais acesso terrestre para suprimentos. O premiê britânico, Keir Starmer, afirmou que o Reino Unido trabalhará com a Jordânia para retomar lançamentos aéreos e evacuar crianças que precisam de tratamento médico. Os Emirados Árabes Unidos também anunciaram a retomada imediata dos lançamentos.
A decisão de flexibilizar a entrada de ajuda ocorre em meio a novas denúncias de mortes durante ataques israelenses próximos a centros de distribuição de alimentos. Segundo o Hamas, mais de 50 palestinos morreram no sábado nessas circunstâncias.
A guerra teve início em 7 de outubro, quando o Hamas invadiu Israel, matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou 251. Desde então, segundo autoridades de Gaza controladas pelo Hamas, mais de 58 mil pessoas morreram ou estão desaparecidas. Israel afirma ter eliminado cerca de 20 mil combatentes palestinos até janeiro, além de 1.600 terroristas no ataque inicial. Do lado israelense, 456 militares morreram desde o início da ofensiva terrestre.