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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (27) a situação em Gaza como “um desastre” e lamentou a falta de reconhecimento internacional pelos US$ 60 milhões em ajuda alimentar oferecidos por seu governo. “Você esperaria, ao menos, que alguém agradecesse”, declarou Trump a jornalistas antes de uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em seu resort de golfe em Turnberry, na Escócia.
Trump afirmou que “é terrível” ver crianças palestinas passando fome e acusou o grupo Hamas de “roubar a comida e o dinheiro”. “Aquele lugar é um desastre”, repetiu o presidente, acrescentando que outros países contribuem muito pouco em comparação aos EUA. “Te faz se sentir mal quando você ajuda, e os outros não fazem nada”, reclamou.
Em relação às negociações para um cessar-fogo em Gaza — interrompidas por Israel e pelos EUA sob a alegação de que o Hamas se recusa a devolver reféns — Trump disse que “o governo israelense terá que tomar uma decisão”. “Eu sei o que faria, mas acho que não é apropriado dizer”, afirmou.
O presidente também criticou o Irã, dizendo que o país “está se aproveitando” da situação e questionou a continuidade do programa nuclear iraniano mesmo após os bombardeios dos EUA em junho. “Como podem ser tão estúpidos de dizer que vão continuar?”, ironizou.
Neste domingo, o Exército de Israel iniciou pausas diárias nos combates em três áreas densamente povoadas da Faixa de Gaza — Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Muwasi — para permitir o fluxo de ajuda humanitária. As pausas ocorrerão diariamente, das 10h às 20h (horário local), até novo aviso.
Apesar das medidas, as operações militares continuam em outras partes do território. Autoridades de saúde de Gaza informaram que, entre a noite de sábado e o domingo, ao menos 41 palestinos foram mortos em ataques israelenses, incluindo 26 pessoas que buscavam ajuda.
A crise humanitária se intensifica: imagens de crianças gravemente desnutridas circulam nas redes e provocam duras críticas à condução da guerra por parte de Israel, inclusive de aliados tradicionais. Israel, por sua vez, alega que o Hamas desvia parte da ajuda para sustentar sua estrutura, mas não apresentou evidências públicas disso.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), da ONU, estima que um terço da população de Gaza não tem acesso a alimentos há dias e que cerca de 500 mil pessoas vivem em situação próxima da fome. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 63 pessoas — entre elas 24 crianças menores de cinco anos — morreram por desnutrição somente em julho.
O diretor do Ministério da Saúde de Gaza, Muneer al-Boursh, pediu um reforço urgente de suprimentos médicos para tratar crianças desnutridas. “Essa trégua humanitária não significará nada se não for uma oportunidade real para salvar vidas. Cada atraso se mede com mais um funeral”, declarou.