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Em meio à crise comercial provocada pela tarifa de 50% que os Estados Unidos pretendem impor a produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, a China sinalizou nesta segunda-feira (28) que está disposta a trabalhar em parceria com o Brasil e outros países da América Latina e dos Brics para defender o sistema multilateral de comércio, centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa em Pequim. Sem citar diretamente as medidas do presidente norte-americano Donald Trump, Jiakun afirmou que a China deseja “proteger a justiça e a equidade internacional” e se mostrou aberta à ampliação da cooperação econômica com o Brasil.
Questionado sobre a possibilidade de o mercado chinês absorver parte dos produtos brasileiros que atualmente têm como destino os EUA, o porta-voz destacou o interesse de Pequim em parcerias com o Brasil, especialmente nos setores de aviação e outros campos estratégicos. “Estamos dispostos a promover a cooperação com base em princípios de mercado”, afirmou.
A semana é considerada decisiva para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta reverter a decisão da Casa Branca. Até o momento, segundo integrantes da diplomacia brasileira, não houve sinalização positiva nem negativa por parte dos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou neste domingo (27) em Nova York para um compromisso na ONU, mas já avisou que pode seguir para Washington caso o governo norte-americano demonstre disposição para negociar.
Também neste fim de semana, uma comitiva formada por oito senadores brasileiros de diferentes partidos chegou aos EUA para buscar uma saída diplomática. Nesta segunda-feira (28), o grupo se reuniu com a embaixadora Maria Luiza Viotti e com diplomatas brasileiros. À tarde, os parlamentares participam de um encontro com representantes da Câmara de Comércio Brasil–Estados Unidos.
Em entrevista à TV Globo, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) reconheceu as dificuldades: “Pelo que a gente está observando, não se tem canal de diálogo. Estamos na expectativa de que se retome o entendimento antes do início da sobretarifa, que será muito ruim para toda a economia brasileira”.
Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) ressaltou que o Brasil precisa agir com equilíbrio diante da postura imprevisível do governo norte-americano. “Mesmo com parceiros históricos como Canadá, México e Europa, a relação foi dura. Não vai ser diferente com o Brasil. Precisamos de paciência, calma e resiliência”, afirmou.
O tarifaço de Trump, se confirmado, pode gerar impactos relevantes para as exportações brasileiras e tensões adicionais na relação entre os dois países. A equipe econômica do governo Lula monitora o cenário e ainda busca alternativas para mitigar os prejuízos.