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A equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (OIEA), que monitora a central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, ocupada por forças russas desde 2022, reportou ter ouvido explosões e visto fumaça nas imediações da planta, considerada a maior da Europa. O incidente ocorreu em meio a um ataque massivo de drones e mísseis russos contra a Ucrânia.
Segundo um comunicado divulgado pelo diretor-geral do organismo, Rafael Grossi, os especialistas que atuam na instalação foram informados pelos operadores da central de que uma instalação auxiliar, localizada a 1.200 metros do perímetro da usina, foi atingida por bombardeios e ataques com drones a partir das 9h da manhã do sábado, 2 de agosto.
“Nesse mesmo horário, nossa equipe pôde ouvir atividade militar”, detalhou Grossi. Os inspetores observaram fumaça saindo dessa área durante várias horas na tarde do sábado.
O chefe da OIEA alertou que se trata do “último de uma série de incidentes” que ocorreram nas últimas semanas e que evidenciam os riscos persistentes para a segurança nuclear no contexto da guerra na Ucrânia. “Qualquer ataque nas imediações de uma central nuclear levanta riscos potenciais para a segurança nuclear e deve ser evitado”, assinalou Grossi, que voltou a pedir máxima moderação militar perto das instalações nucleares.
Embora os seis reatores de Zaporizhzhia permaneçam desligados, seus sistemas de refrigeração e segurança continuam a requerer energia de forma constante para manter seu resfriamento.
Desde setembro de 2022, o OIEA — organismo com sede em Viena e ligado ao sistema das Nações Unidas — mantém uma missão permanente em Zaporizhzhia, assim como equipes em outras usinas ativas do país. Grossi reiterou em múltiplas ocasiões a necessidade de criar uma zona desmilitarizada em torno da central, sem sucesso até o momento.
Em paralelo aos incidentes em Zaporizhzhia, a Força Aérea da Ucrânia informou que derrubou 60 drones Shahed, de fabricação iraniana, além de outras aeronaves não tripuladas e um míssil balístico Iskander-M lançado pela Rússia em um ataque massivo durante a noite de sábado para domingo.
Através de uma mensagem no Telegram, as autoridades ucranianas detalharam que as defesas antiaéreas foram ativadas nas zonas norte, sul, centro e leste do país para responder ao ataque, no qual a Rússia empregou 83 sistemas ofensivos, incluindo um míssil de cruzeiro X-22, cinco mísseis antiaéreos guiados e 76 drones, alguns deles utilizados como iscas.
O dispositivo de defesa ucraniano incluiu forças antiaéreas, unidades de guerra eletrônica e grupos móveis de fogo. Segundo o comunicado oficial, foram registrados impactos de seis mísseis e 16 drones em oito locais distintos, além da queda de fragmentos dos interceptados em dois lugares adicionais.
O incidente se enquadra em uma escalada recente da ofensiva russa contra infraestruturas críticas ucranianas, enquanto a comunidade internacional continua alertando sobre as consequências de uma maior militarização em torno de instalações nucleares.