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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou novas condições para um possível acordo de paz com a Ucrânia, segundo informações reveladas por três fontes à agência Reuters. Entre as exigências, estão a retirada total das forças ucranianas da região de Donbas, a renúncia ao ingresso na OTAN e o compromisso de manter tropas ocidentais fora do território ucraniano.
As propostas foram discutidas durante a reunião de três horas entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na última sexta-feira (16) no Alasca. Este foi o primeiro encontro de cúpula entre Rússia e EUA em mais de quatro anos.
Em declaração conjunta após a reunião, Putin afirmou esperar que o encontro abrisse caminho para a paz na Ucrânia, mas nem ele nem Trump detalharam publicamente o conteúdo das conversas.
Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, a Rússia estaria disposta a abrir mão de parte de suas demandas originais feitas em 2024, quando exigiu o controle total de quatro províncias ucranianas: Donetsk e Luhansk, no leste (que formam o Donbas), além de Kherson e Zaporizhzhia, no sul.
Na nova proposta, Putin manteve a exigência de que a Ucrânia se retire completamente das áreas do Donbas que ainda controla. Em troca, Moscou aceitaria congelar as linhas de frente atuais em Zaporizhzhia e Kherson. A Rússia controla hoje cerca de 88% do Donbas e 73% das duas províncias do sul, de acordo com estimativas norte-americanas.
Ainda segundo as fontes, Moscou também estaria disposta a devolver pequenas áreas sob seu controle em Kharkiv, Sumy e Dnipropetrovsk, no leste e centro da Ucrânia.
Além da questão territorial, Putin mantém as condições de que Kiev abandone oficialmente o objetivo de integrar a OTAN e aceite limitações em seu Exército. Ele também propõe que seja firmado um compromisso juridicamente vinculante para impedir a expansão da aliança militar para o leste, além da garantia de que tropas ocidentais não sejam enviadas à Ucrânia nem mesmo em caráter de manutenção da paz.
O governo ucraniano não comentou imediatamente as propostas. O presidente Volodimir Zelenski, no entanto, reiterou nos últimos dias que não aceitará abrir mão de territórios reconhecidos internacionalmente como parte da Ucrânia.
“Se estamos falando simplesmente em nos retirarmos do leste, não podemos fazer isso. É uma questão de sobrevivência do nosso país”, afirmou Zelenski.
Ele também reforçou que a adesão à OTAN é um objetivo estratégico previsto na Constituição e que não cabe à Rússia decidir sobre o futuro da Ucrânia na aliança.
Mais de três anos após o início da invasão em larga escala ordenada por Putin, a guerra segue sem perspectiva concreta de resolução. O conflito já deixou centenas de milhares de mortos e feridos e consolidou a destruição em diversas regiões do país.
A Casa Branca e a OTAN não responderam a pedidos de comentários sobre as condições apresentadas por Moscou.