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O Papa Leão XIV afirmou, neste sábado (30), que um dos desafios “mais urgentes e decisivos” do tempo presente é a relação entre educação, saúde mental e tecnologias digitais. A declaração foi feita durante audiência no Vaticano aos participantes do seminário “Mapas da Esperança para uma Agenda Educativa Regional: Saúde Mental, Tecnologias Digitais e Educação”, organizado pela Organização de Estados Iberoamericanos (OEI), pela Pontifícia Comissão para a América Latina e pelo Dicastério para a Cultura e a Educação.
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O paradoxo da tecnologia
Leão XIV destacou uma contradição que, segundo ele, se torna cada vez mais evidente nos consultórios, nas escolas e nas famílias:
“Muitos jovens possuem instrumentos tecnológicos cada vez mais sofisticados, mas custa-lhes encontrar um sentido para viver, esperar, amar e inclusive sofrer.”
O Papa afirmou que, por trás de “tantas dificuldades, solidões e fragilidades psicológicas”, escondem-se perguntas que a técnica por si só não consegue responder. Ele enumerou algumas dessas questões:
“Tem a minha vida algum sentido? Existe uma esperança fiável para o futuro?”
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Críticas à competitividade e ao jugo das expectativas
Leão XIV lamentou que muitos jovens vivam hoje “sob o jugo das expectativas e do desempenho”, imersos numa “competitividade exasperada” – fruto de lógicas de mercado, rankings escolares e pressão das redes sociais –, o que gera “ansiedade, medo de não estar à altura e desorientação”.
Para o pontífice, o tema da saúde mental não pode ser abordado unicamente como uma questão clínica ou técnica.
“Não basta conectar os jovens às redes digitais, se estão desconectados de si próprios, dos outros e da sua própria interioridade”, afirmou.
Cultivar a vida interior
Leão XIV defendeu que é preciso ir além dos protocolos e dos fármacos, ajudando as novas gerações a redescobrirem o silêncio, a reflexão, a capacidade de fazer perguntas e a profundidade das relações.
“Cultivar a vida interior significa ajudar as novas gerações a redescobrir o silêncio, a reflexão, a capacidade de fazer perguntas, a profundidade das relações e a abertura à transcendência.”
Tecnologia conecta, educação forma
O Papa concluiu sua intervenção com uma frase que ecoou entre os participantes:
“A tecnologia conecta-nos, mas a educação forma-nos.”
“Educar significa acompanhar os jovens na descoberta não só de como viver, mas também do porquê viver”, acrescentou.
O seminário segue até domingo (31) com sessões fechadas ao público, reunindo educadores, psicólogos, sacerdotes e responsáveis políticos de ambos os lados do Atlântico.
