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🧡 Ver Ofertas na ShopeeChegada em larga escala de drones Shahed com propulsão a jato aumenta tensão em Kiev; escassez de interceptores aproxima guerra da população
A Rússia entrou em uma nova fase da guerra contra a Ucrânia, marcada pela chegada em larga escala, no fim de agosto, de drones Shahed com propulsão a jato e pelo aumento dos ataques com mísseis. A combinação da maior capacidade russa de ataques de longo alcance com a escassez de interceptores ucranianos voltou a aproximar a guerra da população de Kiev, segundo reportagem publicada pelo jornal The Economist neste sábado (19).
A vida cotidiana na capital ucraniana foi profundamente afetada. Sirenes e alertas de aplicativos sobre possíveis ataques se tornaram parte da rotina. Explosões em postos de gasolina, estações de trem, centros comerciais, escritórios e prédios residenciais formam um cenário constante.
Segundo a reportagem, alguns relatos indicam um novo êxodo de famílias de Kiev para regiões mais seguras no oeste do país. Os moradores da capital já estavam acostumados com alertas antiaéreos, ataques de mísseis, apagões e ondas de frio provocadas pelos ataques russos contra centrais elétricas. A nova fase da guerra, porém, teria elevado o nível de preocupação.
A zona de morte e a guerra de drones
O front não é formado por linhas de trincheiras uniformes, mas por uma faixa de território disputado de 40 a 80 quilômetros de largura, conhecida como “zona de morte”. Nessa região, qualquer movimento pode representar risco.
Quando soldados são detectados, o céu pode ser tomado por drones de reconhecimento com visão em primeira pessoa (FPV), utilizados durante o dia e à noite.
Um soldado ucraniano ouvido pela reportagem afirmou que os russos passaram a substituir veículos blindados por jipes ágeis e sem portas, que permitem uma saída rápida. Segundo ele, alguns militares percorrem até 20 quilômetros carregando equipamentos nas costas e precisam se esconder rapidamente quando percebem a presença de um drone.
Drones de emboscada também são posicionados em rotas conhecidas, telhados e atrás de arbustos para atacar de surpresa. Os dois lados utilizam ainda veículos robóticos para transportar equipamentos, alimentos, água e munições.
As forças militares vêm ampliando o uso de drones também na retaguarda inimiga, em uma tentativa de atingir linhas de abastecimento.
A campanha para isolar a Crimeia
No centro de operações do batalhão de drones Nemesis, pilotos e navegadores operam equipamentos de controle enquanto procuram alvos muito atrás das linhas de frente, inclusive em áreas sob controle russo.
Robert Magyar Brovdi, comandante da Força de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, afirmou que uma das campanhas busca isolar a Crimeia, território ocupado pela Rússia.
Segundo Brovdi, a Ucrânia conseguiu enfraquecer forças russas no início da campanha, mas os russos passaram a adaptar suas defesas, utilizando unidades móveis antidrones e uma quantidade maior de equipamentos para bloquear comunicações.
A guerra dos drones de longo alcance
As forças russas também desenvolveram operações com drones de longo alcance. No caso ucraniano, drones desse tipo geralmente dependem de conexões de dados via satélite, incluindo o Starlink.
A reportagem afirma que a Rússia desenvolveu técnicas de interferência e trabalha para estabelecer uma constelação semelhante, chamada Rassvet.
Enquanto isso, os russos utilizam uma rede de repetidores de rádio entre drones baseada em aeronaves não tripuladas Geran, mais conhecidas como Shahed. Esses repetidores podem alcançar cerca de 200 quilômetros dentro do espaço aéreo ucraniano. Dentro desse alcance, drones podem localizar alvos em movimento, em vez de simplesmente seguir coordenadas previamente definidas.
Os trens estão entre os principais alvos. Se antes os ataques se concentravam em comboios estacionados que transportavam equipamentos militares, agora também atingem locomotivas e trens de passageiros. Recentemente, uma estação ferroviária próxima à fronteira com a Polônia foi atacada.
A corrida armamentista e a escassez ucraniana
Os ataques ucranianos de longo alcance contra refinarias de petróleo e centros logísticos russos chamaram atenção. A reportagem, porém, afirma que a Rússia vem realizando ataques dentro da Ucrânia em escala maior e com maior alcance.
Um dos principais problemas apontados é a substituição dos antigos drones Shahed, movidos a hélices, por modelos equipados com motores a jato, possivelmente importados da China.
As defesas terrestres ucranianas, formadas principalmente por metralhadoras e mísseis portáteis, enfrentam dificuldades para interceptar aeronaves mais rápidas e que voam a maior altitude. Caças como os F-16 e MiG-29 podem destruí-las, mas a Ucrânia enfrenta limitações de munição e manutenção.
A Ucrânia também enfrenta escassez de interceptores terrestres. Drones menores não conseguem alcançar os Shahed equipados com motores a jato. Protótipos para enfrentar essa ameaça estão sendo desenvolvidos, mas a produção em escala exigiria recursos financeiros e tempo.
Segundo a reportagem, a Rússia estabeleceu uma meta de produzir 24 mil Shaheds com propulsão a jato em 2026. Uma fonte ucraniana citada pelo The Economist estima que cerca de mil tenham sido utilizados até agora.
Outro fator de preocupação é o aumento da produção russa de mísseis balísticos. Uma estimativa citada pela publicação aponta que a Rússia pode lançar mais de 100 mísseis de diferentes tipos por mês.
A Ucrânia dispõe de poucas alternativas, especialmente diante das reservas limitadas de interceptores Patriot americanos. O país também tenta desenvolver um míssil balístico próprio, baseado em um projeto da empresa ucraniana Fire Point, mas a reportagem considera que a produção de um sistema operacional pode levar anos.
Impacto econômico e risco de colapso em Kiev
A intensificação dos ataques também aumentou a pressão sobre a economia ucraniana. A Ucrânia enfrenta escassez de recursos, enquanto os gastos militares aumentam.
Segundo a reportagem, os ataques russos atingiram empresas importantes para a arrecadação do país. Grandes siderúrgicas em cidades como Kryvyi Rih e Zaporizhzhia fecharam, enquanto a produção de aço em agosto ficou 60% abaixo da registrada no mesmo mês do ano anterior.
Supermercados, comércio eletrônico e serviços postais também foram afetados. A capacidade de armazenamento em Kiev teria sido reduzida em até 80%.
Os ataques contra a infraestrutura ferroviária também provocaram danos significativos. Segundo a publicação, mais de 250 locomotivas foram destruídas somente neste ano.
Outro ponto de preocupação são os portos. A reportagem afirma que a Rússia praticamente fechou os portos ucranianos de águas profundas em Odesa em julho, colocando parte da produção agrícola em risco.
O inverno que se aproxima
A pressão aumenta com a aproximação do inverno. A infraestrutura energética da Ucrânia foi reforçada com ajuda ocidental, mas a reportagem afirma que novos ataques russos podem provocar cortes de energia mais severos do que os registrados no ano passado.
Kiev é considerada particularmente vulnerável por depender de grandes centrais de aquecimento. Um dos pontos críticos citados é uma subestação de 750 kV em Makariv, a oeste da capital.
Segundo a reportagem, com a subestação funcionando, Kiev teria aproximadamente 16 horas de eletricidade por dia. Sem ela, esse período poderia cair para cerca de quatro horas.
No inverno passado, bairros inteiros passaram semanas sob temperaturas abaixo de zero após ataques russos destruírem centrais térmicas próximas. Para este ano, também existem preocupações com os sistemas de abastecimento de água e saneamento.
Um diplomata ocidental ouvido pela publicação afirmou que “esta cidade pode colapsar”. Um funcionário ucraniano previu um cenário extremamente difícil para outubro e afirmou que Kiev será fortemente pressionada.
Perspectivas incertas
Segundo a reportagem, a Rússia também deve utilizar campanhas de propaganda para explorar o cansaço da população ucraniana.
Desde o aumento dos ataques com drones à capital, em 27 de agosto, a rotina dos moradores foi afetada. Empresas fecham durante alertas antiaéreos, passageiros ficam presos quando o transporte público é interrompido e escolas enviam alunos para casa ou transferem as aulas para instalações subterrâneas.
Famílias também discutem a possibilidade de enviar crianças para o oeste da Ucrânia ou para outros países.
Apesar da pressão sobre a retaguarda, a situação no front permanece diferente. Segundo a reportagem, a Rússia teria obtido um ganho líquido de aproximadamente 100 quilômetros quadrados neste ano, equivalente a 0,017% do território ucraniano anterior a 2014.
A publicação também cita uma fonte ucraniana que estima em 600 mil o número de russos mortos e calcula que entre 22 mil e 23 mil russos sejam mortos por mês. Esses números são estimativas apresentadas pela fonte e não foram independentemente confirmados no texto.
A guerra, segundo a análise do The Economist, não está completamente paralisada. O conflito passou a envolver uma disputa constante por inovação tecnológica, especialmente no desenvolvimento e emprego de drones e mísseis de longo alcance.
Pressão econômica aumenta
A economia ucraniana também começa a mostrar sinais de tensão. A queda nas receitas de exportação pode pressionar a moeda do país e aumentar a necessidade de medidas do banco central.
Segundo a reportagem, o primeiro-ministro Serhiy Koretskiy estimou que apenas as primeiras semanas do aumento das tropas russas poderiam reduzir em 70 bilhões de grivnas, cerca de US$ 1,6 bilhão, as receitas fiscais do governo.
Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky teria solicitado ajuda para cobrir um déficit de US$ 27 bilhões no orçamento militar. Analistas da Dragon Capital elevaram a estimativa de déficit total para este ano para entre US$ 4 bilhões e US$ 9 bilhões.
Para 2027, o ministro das Finanças, Sergii Marchenko, afirmou que a Ucrânia precisará de US$ 32,6 bilhões adicionais em financiamento estrangeiro além do que já foi prometido.
A União Europeia anunciou empréstimos de € 90 bilhões, equivalentes a aproximadamente US$ 104 bilhões, para financiar o déficit orçamentário e a compra de armamentos durante este ano e o próximo. Parte dos recursos, contudo, depende da aprovação de reformas exigidas pelos países doadores.
Diplomacia e próximos passos
Ainda não está claro se a diplomacia poderá aliviar a pressão sobre a Ucrânia.
No início de setembro, os enviados de Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, visitaram Kiev após uma reunião com Vladimir Putin em Moscou.
Segundo fontes citadas pela reportagem, poderia surgir uma proposta para um acordo técnico limitado nas semanas seguintes. Também existe a possibilidade de conversas envolvendo Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em Abu Dhabi no início de outubro.
A reportagem, contudo, avalia que um acordo mais amplo de paz ou um cessar-fogo ainda enfrenta obstáculos. Enquanto isso, a Ucrânia continua combatendo e a pressão militar e econômica sobre o país aumenta com a aproximação do inverno.



































































