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A economia dos Estados Unidos criou 151 mil empregos em fevereiro, segundo relatório do Departamento do Trabalho divulgado nesta sexta-feira. O número representa um aumento em relação aos 125 mil postos revisados de janeiro. No entanto, a taxa de desemprego subiu para 4,1%, gerando questionamentos sobre o rumo do mercado de trabalho em meio à incerteza econômica.
Embora o crescimento do emprego indique uma expansão, o aumento do desemprego sugere que a oferta de trabalho ainda supera a demanda em alguns setores. O mercado de trabalho tem se mostrado resiliente ao longo do último ano, apesar das altas taxas de juros e das mudanças nas políticas migratórias e comerciais da administração Trump.
A economista Lydia Boussour, da EY, destacou que o emprego segue crescendo, mas com sinais de desaceleração. Já Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, apontou que os setores de lazer e hospitalidade se recuperaram após a queda de janeiro, que foi impactada por incêndios florestais em Los Angeles. No entanto, alertou que a recente revogação do status de asilo para cerca de um milhão de refugiados venezuelanos e haitianos pode afetar a oferta de mão de obra.
A previsão da FactSet era de que os EUA criassem 160 mil empregos em fevereiro, com a taxa de desemprego se mantendo em 4%, mas os números oficiais ficaram abaixo da projeção. Além disso, o impacto da reestruturação do governo federal, liderada pelo empresário Elon Musk dentro da nova política de eficiência administrativa, ainda não foi refletido nos dados de emprego, segundo o Departamento do Trabalho.
Em 2024, o crescimento do emprego foi menor do que em anos anteriores. Em 2023, a média mensal foi de 216 mil novos postos, enquanto em 2022 e 2021 foram registrados 380 mil e 603 mil empregos por mês, respectivamente. Alguns setores, como tecnologia, registraram demissões em massa, enquanto construção civil e saúde mantiveram demanda estável por trabalhadores.
A política monetária também tem impactado o mercado de trabalho. O Federal Reserve elevou a taxa de juros 11 vezes entre 2022 e 2023 para conter a inflação, que caiu para 2,4% em setembro de 2024. Apesar da estabilidade das taxas nos últimos meses, economistas alertam que o aperto financeiro pode restringir investimentos e consumo, afetando o emprego.
Os salários médios por hora aumentaram 0,3% em fevereiro, abaixo do crescimento de 0,5% registrado em janeiro. Embora isso possa ser visto como um sinal positivo para a estabilidade de preços, especialistas do mercado financeiro não esperam um corte nos juros na próxima reunião do Fed, marcada para 18 e 19 de março.
As políticas comerciais do governo Trump também geram preocupações. A imposição de novas tarifas sobre produtos importados pode elevar os custos para as empresas, desacelerando contratações e impactando o consumo. Além disso, algumas companhias já começaram a transferir suas cadeias de suprimentos para fora dos EUA para evitar os custos adicionais, o que pode reduzir a demanda por empregos no país.