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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu retirar o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), grupo do qual o país fazia parte como membro observador desde 2021. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (25) pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, que reagiu com fortes críticas à decisão.
A saída da aliança ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países, especialmente após o início da guerra na Faixa de Gaza. O governo israelense classificou a atitude brasileira como “imprudente e vergonhosa”.
“Em uma época em que Israel luta por sua própria existência, voltar-se contra o Estado judeu e abandonar o consenso global contra o antissemitismo é imprudente e vergonhoso”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel, em publicação na rede social X (antigo Twitter).
O Itamaraty ainda não comentou publicamente a saída da IHRA, mas a decisão foi anunciada um dia depois de o Brasil ter confirmado adesão à ação protocolada pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia. A ação acusa Israel de violar a Convenção do Genocídio e de promover uma “conduta genocida” contra civis palestinos.
Para o governo israelense, a postura brasileira demonstra “uma profunda falha moral”. Segundo o ministério, “a decisão do Brasil de se juntar à ofensiva jurídica contra Israel na CIJ, ao mesmo tempo em que se retira da IHRA, é uma demonstração de uma profunda falha moral”.
Em nota divulgada na quarta-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que a adesão à ação na CIJ se baseia na Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio e no “dever dos Estados de cumprir com suas obrigações de Direito Internacional e de Direito Internacional Humanitário, frente à plausibilidade de que os direitos dos palestinos de proteção contra atos de genocídio estejam sendo irreversivelmente prejudicados, conforme conclusão da Corte Internacional de Justiça nas medidas cautelares anunciadas em 2024”.
Firmada após a Segunda Guerra Mundial, a Convenção do Genocídio é um tratado internacional criado com o objetivo de prevenir e punir crimes contra a humanidade, como o Holocausto. A IHRA reúne 35 países membros e trabalha para manter viva a memória das vítimas do nazismo e combater o antissemitismo globalmente.