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Pesquisas recentes sugerem que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode aumentar o risco de doenças ósseas debilitantes, como a osteoporose, afetando a qualidade muscular e a saúde dos ossos.
Alimentos ricos em aditivos, como salgadinhos e doces, têm sido amplamente criticados há décadas devido aos seus supostos riscos à saúde, sendo associados a doenças como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e até câncer. Agora, cientistas dos Estados Unidos descobriram que esses alimentos também podem ter um impacto negativo na saúde óssea.
O estudo foi realizado com mais de 600 adultos americanos com sobrepeso, que foram acompanhados para avaliar os efeitos de dietas ricas em alimentos ultraprocessados (UPFs). Os pesquisadores observaram que aqueles que consumiam mais junk food tinham maior quantidade de gordura armazenada nos músculos das coxas. O mais alarmante, segundo os cientistas, é que essa relação não dependia da quantidade de calorias ingeridas, mas sim da qualidade dos alimentos consumidos. Mesmo com níveis semelhantes de exercício físico, os participantes que consumiram mais UPFs apresentaram pior qualidade muscular.
A pesquisa revelou que dietas ricas em alimentos ultraprocessados podem aumentar a quantidade de gordura intramuscular nas coxas, o que pode aumentar o risco de osteoartrite do joelho, uma doença degenerativa das articulações. A osteoartrite é uma das condições mais prevalentes e dispendiosas no sistema de saúde global, sendo responsável por um alto custo no tratamento de doenças relacionadas ao sobrepeso e ao estilo de vida pouco saudável.
“Os resultados deste estudo indicam que o consumo de UPFs está diretamente ligado ao aumento da gordura nos músculos das coxas, o que pode contribuir para o risco de osteoartrite no joelho e quadril”, disse a Dra. Zehra Akkaya, pesquisadora de radiologia e autora do estudo. “Este estudo é inovador, pois investiga o impacto da qualidade da dieta, especialmente o papel dos UPFs, no acúmulo de gordura intramuscular nas coxas, avaliado por ressonância magnética.”
O estudo acompanhou 666 adultos, com uma média de 60 anos e índice de massa corporal (IMC) de 27, que relataram sua dieta diária e realizaram exames de ressonância magnética. Aproximadamente 40% dos alimentos consumidos pelos participantes nos últimos 12 meses eram ultraprocessados.
A Dra. Akkaya explicou que, em uma população adulta em risco de osteoartrite no joelho ou quadril, o consumo de UPFs está vinculado ao aumento de gordura nas coxas, independentemente de outros fatores como o IMC, nível de atividade física ou fatores sociodemográficos.
Estudos como esse reforçam a importância de uma alimentação balanceada e a adoção de um estilo de vida saudável para prevenir doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida, principalmente em relação à osteoartrite, que é uma das principais causas de incapacidade e morte precoce.
Os alimentos ultraprocessados, que incluem itens como refeições prontas, sorvetes e ketchup, são conhecidos por terem baixo valor nutricional e por serem feitos com corantes, adoçantes e conservantes que aumentam sua durabilidade. Esses produtos são diferentes dos alimentos processados, que passam por transformações para aumentar sua durabilidade ou melhorar o sabor, como carnes curadas, queijos e pães frescos.
No Reino Unido, os alimentos ultraprocessados representam cerca de 57% da dieta nacional, e são considerados um dos principais fatores do aumento da obesidade, com um custo anual de £6,5 bilhões para o sistema de saúde pública, o NHS, devido ao tratamento de doenças relacionadas ao peso.
A osteoporose, que afeta cerca de 3,5 milhões de pessoas no Reino Unido, é conhecida como uma “doença silenciosa”, pois não apresenta sintomas até que ocorra uma fratura óssea. Metade das mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura, geralmente na coluna ou nos quadris, devido à fragilidade óssea causada pela doença. Essas fraturas são a quarta maior causa de incapacidade e morte precoce no país.
Este estudo traz à tona a importância de repensar nossos hábitos alimentares e priorizar uma dieta balanceada para preservar a saúde óssea e prevenir doenças graves, como a osteoartrite e a osteoporose.