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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou novas diretrizes que impactam diretamente o mercado de medicamentos utilizados para emagrecimento, especialmente os conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A medida, oficializada no despacho nº 97, de 22 de agosto, visa reforçar a segurança dos pacientes após a identificação de irregularidades em versões manipuladas desses produtos.
🚫 Semaglutida fora das farmácias de manipulação
A principal mudança é a proibição prática da manipulação da semaglutida biotecnológica — princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic® e Wegovy®. Segundo a Anvisa, esse tipo de insumo só pode ser utilizado se vier do mesmo fabricante registrado na agência, o que, na prática, inviabiliza sua manipulação por farmácias magistrais. A produção da semaglutida é exclusiva da farmacêutica Novo Nordisk.
Já a tirzepatida, presente em medicamentos como Mounjaro e Zepbound, ainda poderá ser manipulada, mas sob regras mais rígidas de fiscalização. Importadores e farmácias terão que passar por testes de qualidade e seguir normas técnicas mais exigentes para obter liberação.
🔍 Inspeções revelaram riscos à saúde
A decisão da Anvisa foi motivada por inspeções realizadas em 2023, que identificaram problemas graves em fórmulas manipuladas: dosagens acima do recomendado, uso de substâncias não aprovadas e ausência de controle de qualidade. O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) também denunciou práticas irregulares, como a oferta de medicamentos patenteados com insumos não certificados.
🩺 Reações dividem entidades médicas e farmacêuticas
A medida gerou reações distintas entre entidades do setor. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) apoiou a proibição da semaglutida manipulada, mas criticou a permissão para a tirzepatida, alegando que os riscos são semelhantes. A entidade alerta para a falta de estudos clínicos, possibilidade de contaminação e eventos adversos graves, como pancreatite.
Por outro lado, a Associação Nacional Magistral de Estéreis (ANME) defendeu a decisão da Anvisa, afirmando que ela fortalece o setor ao valorizar profissionais que seguem normas de segurança. A entidade destacou que a tirzepatida não foi proibida, mas submetida a uma fiscalização mais rigorosa.
A Novo Nordisk, fabricante da semaglutida, interpretou a medida como uma proibição efetiva de todas as versões biológicas da substância. A empresa reforçou que apenas seus medicamentos registrados garantem os padrões de pureza, esterilidade e estabilidade exigidos para a segurança dos pacientes.