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Pesquisadores alertam que o consumo simultâneo de analgésicos comuns, como ibuprofeno e paracetamol, pode estar contribuindo silenciosamente para uma das crises de saúde mais graves do mundo: a resistência antimicrobiana. Segundo o estudo, a combinação desses medicamentos com o antibiótico ciprofloxacino — frequentemente usado no tratamento de infecções urinárias — pode favorecer mutações em bactérias, tornando-as mais difíceis de combater.
Testes realizados na bactéria E. coli mostraram que a combinação não apenas promove resistência ao ciprofloxacino, mas também a outros antibióticos tradicionalmente eficazes contra o patógeno. Esse fenômeno, conhecido como resistência antimicrobiana (RAM), ocorre quando bactérias, vírus, fungos ou parasitas evoluem e se tornam “superbugs”, capazes de resistir aos medicamentos desenvolvidos para eliminá-los.
Desde 1990, superbugs são responsáveis por pelo menos um milhão de mortes anuais, número que, segundo projeções, pode chegar a quase 40 milhões nos próximos 25 anos.
A professora Rietie Venter, da University of South Australia e autora principal do estudo, destacou a importância de avaliar os riscos do uso combinado de medicamentos: “A resistência aos antibióticos não é mais apenas sobre antibióticos. Este estudo é um lembrete claro de que precisamos considerar cuidadosamente os riscos de usar múltiplos medicamentos — particularmente em cuidados de idosos, onde os residentes recebem combinações de tratamentos a longo prazo. Isso não significa que devemos parar de usar esses medicamentos, mas precisamos estar mais atentos sobre como eles interagem com antibióticos.”
No Reino Unido, o Serviço Nacional de Saúde (NHS) já enfrenta aumento nas infecções resistentes a antibióticos. Dados recentes da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) apontam que 66.730 pessoas foram afetadas em 2023, contra 62.314 em 2019.