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Uma nova pesquisa sugere que a motivação por trás do ato de comer — como aceitar ou não aquela segunda fatia de pizza — pode determinar o quão eficazes serão os medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, no processo de perda de peso.
O estudo ajuda a explicar por que algumas pessoas conseguem reduzir até 20% do peso corporal com esses tratamentos, enquanto outras apresentam resultados mínimos.
O tema é relevante: quase três quartos dos adultos nos Estados Unidos são considerados com sobrepeso ou obesidade, condição que aumenta o risco de diversas doenças crônicas. Nos últimos anos, cerca de 12% dos norte-americanos recorreram aos medicamentos GLP-1 para emagrecimento — e a tendência segue em alta.
“A avaliação prévia dos padrões de comportamento alimentar pode ajudar a prever quem terá mais benefícios”, afirmou o professor Daisuke Yabe, da Universidade de Kyoto, autor sênior do estudo.
A pesquisa
O estudo acompanhou, durante um ano, 92 pessoas no Japão diagnosticadas com diabetes tipo 2 e que começaram a usar medicamentos GLP-1. Os pesquisadores monitoraram peso, composição corporal, dieta, glicemia, colesterol e, sobretudo, padrões de comportamento alimentar.
Foram avaliados três tipos de comportamento ligados ao ganho de peso:
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Comer por estímulos externos: quando a pessoa se alimenta porque a comida parece ou cheira bem, mesmo sem fome.
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Comer por emoção: quando a alimentação é motivada por estresse, tristeza ou tédio.
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Comer restritivo: quando a pessoa restringe a ingestão de alimentos de forma deliberada para emagrecer.
De modo geral, os participantes perderam peso, reduziram gordura corporal e apresentaram melhora nos níveis de colesterol. A glicemia também caiu, embora de forma menos expressiva.
Diferenças entre os perfis de comedores
Nos primeiros três meses, houve redução tanto no comer emocional quanto no estímulo externo. Porém, ao final do ano, o comer emocional retornou aos níveis iniciais, enquanto o estímulo externo continuou em queda.
O resultado: pessoas mais influenciadas por cheiros e aparências de alimentos tiveram maior perda de peso e melhora glicêmica do que aquelas que lutavam contra a alimentação emocional ou a restrição excessiva.
“Uma possível explicação é que a alimentação emocional está mais relacionada a fatores psicológicos, que não são diretamente tratados pela terapia com agonistas de receptor de GLP-1”, explicou o médico Takehiro Kato, da Universidade de Gifu, coautor do artigo.
Como funcionam os medicamentos GLP-1
Medicamentos como Ozempic e Wegovy imitam um hormônio natural que regula a glicemia, retarda a digestão, aumenta a sensação de saciedade e reduz a resposta do cérebro a estímulos alimentares. No entanto, o estudo indica que esses mecanismos são menos eficazes em pessoas cuja compulsão alimentar está ligada a ansiedade, depressão ou sofrimento emocional.
“Os agonistas do receptor de GLP-1 são eficazes para indivíduos que apresentam ganho de peso ou glicemia elevada devido a estímulos externos. Mas sua eficácia é menos provável em casos em que a alimentação emocional seja a principal causa”, reforçou Yabe.
Complemento ao tratamento
Especialistas destacam que isso não significa que os medicamentos não funcionem para quem come por emoção — mas que será necessário um cuidado adicional.
“Não se trata apenas de comer em excesso. Precisamos lidar primeiro com questões emocionais de fundo”, afirmou o médico Mir Ali, diretor do MemorialCare Surgical Weight Loss Center, em entrevista ao Healthline.