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Uma análise realizada na Itália detectou antecedentes que costumam passar despercebidos durante o atendimento inicial. Os resultados preliminares foram apresentados em uma cúpula da Sociedade Europeia de Cardiologia. A cardiopatia isquêmica é uma das principais causas de morte no mundo e se manifesta de forma aguda como síndrome coronariana aguda (SCA), que inclui tanto a angina de peito quanto o infarto do miocárdio. Embora se saiba que os sintomas e fatores de risco podem variar conforme o sexo, grande parte das evidências e dos protocolos médicos foram historicamente baseados em estudos feitos com homens, deixando em segundo plano características próprias das mulheres.
O primeiro registro multicêntrico prospectivo dedicado exclusivamente a mulheres com SCA na Itália, apresentado na Cúpula EAPCI 2026, traz dados inéditos sobre como os infartos se apresentam em pacientes femininas e quais são os riscos que costumam passar despercebidos na consulta. De acordo com os resultados iniciais do estudo GEDI-ACS, além dos fatores cardiovasculares clássicos como hipertensão, dislipidemia e tabagismo, nestas pacientes aparecem com elevada frequência antecedentes de aborto espontâneo, menopausa precoce, doenças autoimunes e transtornos de ansiedade ou depressão.
A análise dos primeiros 68 casos mostrou que 86% das mulheres estavam experimentando seu primeiro evento cardiovascular, com uma média de idade de 68 anos e um perfil de saúde em que predominam baixos níveis de alfabetização em saúde. Além disso, mais de um terço das participantes apresentou infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstrutivas (MINOCA), um subtipo para o qual não existem guias terapêuticas específicas e que afeta principalmente mulheres.
Estes achados, apresentados por equipes do Instituto Científico IRCCS San Raffaele na cúpula organizada pela Associação Europeia de Intervenções Cardiovasculares Percutâneas (EAPCI), que faz parte da Sociedade Europeia de Cardiologia, abrem a discussão sobre a necessidade de revisar as estratégias de prevenção e diagnóstico em cardiologia, incorporando variáveis que até agora quase nunca são questionadas nem analisadas em profundidade durante o atendimento médico habitual.
O registro GEDI-ACS tem como objetivo principal analisar as síndromes coronarianas agudas em mulheres de uma perspectiva integral. Para isso, incorpora variáveis clínicas, socioeconômicas, psicossociais, genéticas e moleculares, considerando a diversidade étnica e cultural das participantes. O estudo inclui mulheres recrutadas em múltiplos centros italianos, especialmente em Milão e Nápoles, e prevê uma análise detalhada dos subtipos de SCA. Quanto à apresentação clínica, 38,2% das pacientes apresentou infarto com elevação do ST (STEMI), 36,8% infarto sem elevação do ST (NSTEMI) e 25% angina instável.
Durante os primeiros 30 dias após o evento, não foram registradas mortes, reinfartos nem acidentes cerebrovasculares, embora 11,3% das participantes tenham relatado dor torácica recorrente. As autoras do estudo sublinharam a necessidade de realizar acompanhamentos prolongados e de incorporar uma abordagem personalizada para confirmar uma evolução favorável. O GEDI-ACS reforça a importância de melhorar a alfabetização em saúde e a prevenção cardiovascular com perspectiva de gênero.