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Uma nova pesquisa apontou uma possível ligação entre infecções graves e o desenvolvimento de demência de início tardio. O estudo foi publicado na revista PLOS Medicine e conduzido por pesquisadores da Universidade de Helsinque.
A análise considerou mais de 65 mil pacientes com 65 anos ou mais e avaliou cerca de 170 doenças tratadas em hospitais entre um e 21 anos antes do diagnóstico de demência. Após o refinamento dos dados, os cientistas identificaram 29 condições com maior associação ao risco da doença.
Entre elas, duas infecções se destacaram por manter relação independente com a demência: cistite (infecção urinária) e infecção bacteriana geral. Segundo o estudo, essas infecções costumam ocorrer entre cinco e seis anos e meio antes do diagnóstico.
Os dados mostram que pacientes que tiveram essas infecções apresentaram cerca de 19% mais chances de desenvolver demência. No total, quase metade dos casos analisados ocorreu após o surgimento de uma das 29 doenças identificadas.
De acordo com os pesquisadores, os resultados “reforçam a possibilidade de que infecções graves aumentem o risco de demência”. Como o desenvolvimento da doença pode levar anos ou até décadas, os cientistas avaliam que infecções severas podem acelerar um declínio cognitivo já em curso.
Apesar dos achados, o estudo tem limitações. Não houve avaliação cognitiva prévia dos pacientes nem dados detalhados sobre tratamentos das infecções. Além disso, por se tratar de uma pesquisa observacional, não é possível comprovar relação direta de causa e efeito.
Um dos autores do estudo, o pesquisador Pyry N. Sipila, destacou a necessidade de novas pesquisas, incluindo testes clínicos, para entender se a prevenção de infecções pode reduzir ou atrasar o surgimento da demência. Ele também recomendou que adultos mantenham a vacinação em dia.
Especialistas que não participaram do estudo afirmam que os resultados são relevantes. Para o neurologista Joel Salinas, as infecções graves podem ter impacto direto no cérebro, possivelmente por meio de processos inflamatórios ou respostas do sistema imunológico.
Ainda assim, ele ressalta que o risco deve ser analisado com cautela. Fatores como doenças cardíacas, hipertensão, diabetes, depressão e traumas cranianos continuam entre os principais elementos associados à demência.
Os pesquisadores concluem que a doença deve ser entendida como resultado de múltiplos fatores ao longo do tempo, e que infecções graves — especialmente aquelas que exigem hospitalização — podem ser mais uma peça nesse complexo cenário.
