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Uma nova pesquisa apresentada no encontro anual da Associação Psiquiátrica Americana (APA), em São Francisco, analisou a relação entre o consumo de cafeína e a saúde mental. O estudo, chamado SHADES (Sleep and Healthy Activity, Diet, Environment and Socialization), envolveu 1.007 adultos com idades entre 22 e 60 anos.
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A principal descoberta
Os resultados mostraram que um maior consumo de cafeína está associado a uma maior severidade dos sintomas de depressão. Participantes que consumiam de três a quatro porções de cafeína por dia apresentaram escores mais altos na escala de depressão PHQ-9.
Mas não é tão simples
Ao mesmo tempo, a pesquisa apontou um efeito contraditório: o consumo de cafeína pareceu diminuir a forte relação existente entre a depressão e problemas severos de insônia e estresse.
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O que isso significa?
Os pesquisadores sugerem que pessoas podem estar usando a cafeína como uma forma de “automedicação” para combater sintomas depressivos, como baixa energia e falta de disposição.
“Meu objetivo foi observar, em um nível biopsicossocial, como a cafeína afeta todas essas questões”, disse Mira Kaur Marwah, estudante de medicina da Universidade do Arizona e autora principal do estudo, ao Medscape.
Os números
A análise revelou que, entre participantes com insônia severa, a associação com escores mais altos de depressão era mais forte entre aqueles que não consumiam cafeína. Entre os que consumiam de uma a sete ou mais porções diárias, a relação, embora ainda presente, era mais fraca.
Cuidados e limitações
Especialistas ouvidos pela reportagem fazem ressalvas. O psiquiatra Gregory Scott Brown, da Universidade do Houston, elogiou a iniciativa, mas classificou o tema como uma “questão complexa”. Ele apontou que o estudo não padronizou o tamanho das porções de cafeína, não diferenciou o café puro do café com açúcar e não separou consumidores habituais de novos usuários. “Isso abre uma caixa de Pandora de perguntas que precisamos investigar”, afirmou Brown.
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Na prática clínica
Apesar das limitações, os especialistas recomendam que os médicos passem a perguntar rotineiramente aos pacientes sobre seu consumo de cafeína, um hábito muitas vezes negligenciado nas consultas. No entanto, eles fazem um alerta: “A cafeína tem efeitos diferentes em pessoas diferentes, e é importante não generalizar com base em um estudo que apenas olha para a superfície de um tópico muito complexo”.
