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A pressa do dia a dia tem levado muitas pessoas a realizarem a última refeição cada vez mais tarde. No entanto, especialistas consultados pelo Eating Well alertam que comer às altas horas da noite compromete a saúde do fígado, altera seus ritmos biológicos e aumenta o risco de acúmulo de gordura, inflamação e alteração da glicose.
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O fígado possui um relógio interno para metabolizar nutrientes. A ingestão de alimentos fora desse ritmo natural faz com que o órgão processe a comida de forma menos eficiente, dificultando a gestão de gorduras e açúcares.
Impactos metabólicos e risco de doença hepática
A médica especialista Simran Malhotra explicou que o consumo habitual de alimentos durante a noite eleva significativamente o risco de doença hepática metabólica. A nutricionista Lisa Andrews complementou, destacando que o corpo processa a glicose de forma menos eficiente no período noturno, o que pode facilitar o desenvolvimento de alterações metabólicas.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia observaram que pessoas que concentram a maior parte da ingestão calórica em horários noturnos apresentam maior resistência à insulina e um perfil metabólico desfavorável, fatores que aceleram o deterioro hepático.
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De acordo com a Associação Americana para o Estudo de Doenças Hepáticas (AASLD), hábitos alimentares irregulares interferem nos mecanismos de reparo celular do fígado, favorecendo a progressão de inflamação e fibrose.
Malhotra enfatizou que:
“Estudos com milhares de pessoas confirmam a relação entre saltar o desjejum e comer de noite com um incremento significativo do risco hepático.”
Um estudo citado associa essas práticas a um 52% mais de risco de padecer de doença hepática metabólica.
Acúmulo de gordura e inflamação silenciosa
O impacto de cenar tarde também se observa na acumulação de gordura e na tendência à inflamação. A especialista explicou que:
“A inflamação crônica pode conduzir ao desenvolvimento de cicatrizes e a problemas sérios de saúde.”
Andrews destacou que o trabalho noturno aumenta a probabilidade de encontrar valores elevados de enzimas hepáticas, indicadores de disfunção do órgão. O dano, muitas vezes, se acumula sem sintomas visíveis, tornando fundamental a detecção precoce através de controles de rotina.
Recomendações para proteger o fígado
Para proteger o fígado, os especialistas recomendam:
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Cenar entre duas e três horas antes de dormir: O ideal é que a última refeição seja finalizada até as 20h.
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Optar por porções moderadas: Prefira alimentos ricos em proteínas, fibras e gorduras saudáveis.
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Estabelecer uma rotina noturna: Atividades como escovar os dentes e evitar a permanência na cozinha ajudam a prevenir os desejos fora de hora.
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Praticar atividades recreativas após a janta: Ler ou realizar algum passatempo manual ajuda a desviar a atenção da comida.
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Escolher opções leves se houver fome antes de dormir: Nesse caso, prefira opções fáceis de digerir, como iogurte natural ou pão torrado com creme de amendoim.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui a restrição horária da alimentação entre suas recomendações para a prevenção de doenças metabólicas e hepáticas. Segundo a OMS, estabelecer horários regulares de refeições ajuda a sincronizar os processos metabólicos internos, o que é fundamental para a preservação da função hepática.
Além disso, um metanálise publicado pela revista Hepatology concluiu que pessoas que mantêm rotinas noturnas saudáveis e evitam comidas tardias mostram menor incidência de alterações nas enzimas hepáticas e melhor capacidade de regeneração do órgão.
Fatores de risco e estilo de vida
O cuidado com o fígado depende de vários pilares do estilo de vida. Comer em horários regulares e seguir uma dieta equilibrada ajuda a controlar a inflamação e o acúmulo de gordura. Dormir pelo menos sete ou oito horas por noite favorece o metabolismo e os processos regenerativos do órgão.
“Evitar o álcool e dar prioridade ao descanso são estratégias eficazes para preservar a função hepática” , destacam os especialistas.
A atividade física regular, junto com uma dieta baseada em frutas, verduras, cereais integrais e sementes, promove a saúde hepática. Reduzir o consumo de açúcares, gorduras saturadas e bebidas alcoólicas é essencial para a prevenção.
“Não existem provas que respaldem a segurança de nenhuma quantidade de álcool para o fígado” , esclarece a publicação Eating Well.
Os controles médicos periódicos e a incorporação diária desses hábitos reduzem a probabilidade de desenvolver doenças hepáticas silenciosas e crônicas.
