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A bancada republicana da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos emitiu nesta terça-feira (5) intimações para quase uma dezena de ex-agentes federais, políticos e ex-funcionários do governo — entre eles Bill e Hillary Clinton — além de solicitar documentos do Departamento de Justiça (DOJ), em meio à ampliação da investigação sobre o pedófilo falecido Jeffrey Epstein.
Entre os convocados para depor perante o Comitê de Fiscalização da Câmara estão ex-diretores do FBI James Comey e Robert Mueller, além de seis ex-procuradores-gerais dos EUA. A decisão foi anunciada pelo presidente do comitê, James Comer (republicano pelo Kentucky), poucos dias após o DOJ ter ouvido Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein que cumpre uma pena de 20 anos por conspirar para abusar sexualmente de menores.
“Os fatos e as circunstâncias que envolvem os casos de Epstein e Maxwell despertaram enorme interesse público e escrutínio,” escreveu Comer em todas as cartas de intimação. “Enquanto o Departamento busca revelar e divulgar publicamente mais informações, é fundamental que o Congresso exerça a fiscalização sobre a aplicação das leis de combate ao tráfico sexual, especialmente no que diz respeito à condução das investigações e processos contra Epstein e Maxwell.”
Até hoje, apenas três presidentes em exercício e quatro ex-presidentes testemunharam perante comitês do Congresso americano, o que faria de Bill Clinton um possível quinto a comparecer. Especialistas jurídicos, porém, avaliam que Clinton e os ex-procuradores-gerais podem alegar privilégio executivo para se recusarem a responder às intimações.
A investigação ganhou força depois que o presidente Donald Trump sofreu críticas pela divulgação, em 6 de julho, de um memorando elaborado pelo DOJ e FBI que afirmava não existir “lista de clientes” contendo nomes de pessoas ricas e influentes associadas a Epstein.
Jeffrey Epstein, que cometeu suicídio em agosto de 2019 enquanto estava preso em Nova York, tinha conexões com celebridades de Hollywood, advogados poderosos, políticos e empresários influentes — fatos que alimentaram intensas especulações após sua morte.
A atual procuradora-geral, Pam Bondi, afirmou em fevereiro que uma “lista de clientes” estava em sua mesa para análise, e que o escritório do FBI em Nova York possuía milhares de documentos sobre a investigação de Epstein. Contudo, o memorando divulgado em julho declarou que não havia “evidências credíveis de que Epstein chantageava indivíduos proeminentes” nem “fundamentos para investigar terceiros não indiciados”.
No Twitter, Trump classificou a repercussão do caso como uma “fraude perpetuada pelos democratas” e pediu transparência total sobre os depoimentos do grande júri.
Uma pesquisa da Quinnipiac University divulgada em julho mostrou que mais de 60% dos eleitores desaprovam a forma como o governo federal lidou com o caso Epstein.
Entre os convocados, além dos Clinton, estão o atual procurador-geral Merrick Garland (governo Biden), os ex-procuradores Bill Barr e Jeff Sessions (governo Trump), Loretta Lynch e Eric Holder (governo Obama), e Alberto Gonzales (governo George W. Bush).
Ghislaine Maxwell, que foi ouvida pelo DOJ em julho em Tallahassee (Flórida) e posteriormente transferida para um presídio no Texas, respondeu a perguntas sobre mais de cem pessoas, segundo seu advogado. Ela busca imunidade total para evitar novas investigações, enquanto recorre de sua condenação à Suprema Corte dos EUA — julgamento previsto para o fim de setembro.
Maxwell foi condenada por participar de um esquema de abuso sexual de menores, mas ainda não colaborou plenamente com as autoridades, o que surpreende especialistas, dada a baixa chance de sucesso do recurso que apresentou.
Bill Clinton, que viajou ao menos 26 vezes no jato particular de Epstein conhecido como “Lolita Express”, negou qualquer envolvimento, afirmando não ter falado com Epstein há mais de uma década e desconhecer os crimes.
Outro personagem central na controvérsia é Alexander Acosta, ex-procurador-geral do Sul da Flórida e secretário do Trabalho de Trump, que renunciou após críticas pela negociação da controversa delação premiada que resultou em pena branda para Epstein em 2008.
O DOJ tem até 19 de agosto para entregar os “Arquivos Epstein” completos e sem cortes para o Comitê de Fiscalização.