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Uma manifestação oficial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada nesta quinta-feira (24), gerou ampla repercussão nas redes sociais e entre parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O motivo foi a presença de erros gramaticais na primeira versão do despacho, no qual Moraes esclarecia as medidas cautelares impostas ao ex-mandatário.
Entre os equívocos apontados, destacam-se o uso incorreto da crase em expressões como “à favor” e a troca da conjunção “mas” (oposição) pelo advérbio “mais” (intensidade). Ainda pela manhã, o ministro divulgou uma nova versão do documento, com os erros corrigidos.
A primeira versão, no entanto, não passou despercebida por opositores do magistrado, que ironizaram o deslize linguístico. “MORAES ATENTA CONTRA A SOBERANIA GRAMATICAL… e prova que, se a Justiça não é tola, é, todavia, burra (e pensar que ele é finalista do prêmio Jabuti)”, escreveu o advogado e jornalista Tiago Pavinatto em seu perfil nas redes sociais.
Outros usuários também ironizaram:
“AGORA: Alexandre de Moraes dá 48h para Academia Brasileira de Letras adaptar o dicionário para que sua ordem de despacho contra Bolsonaro esteja gramaticalmente correta”, escreveu um internauta.
“Moraes, em sua nova decisão, confunde ‘mas’ com ‘mais’. Se na gramática vai mal, imagina no direito”, provocou outro.
Outro comentário viralizou ao afirmar: “Moraes usa ‘mais’ em vez de ‘mas’ no momento em que alerta os Bolsonaro para a suposta perspicácia da Justiça. Seu português sofrível inclui o mau uso da crase em ‘à replicação’ (considerada, não ‘considerado’) e ‘à favor’. Que fase.”
A reação foi acompanhada por parlamentares da base de oposição, como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-SP), Júlia Zanatta (PL-MG), Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) e o senador Carlos Portinho (PL-RJ). “Em breve, ‘agente vai censurar’”, ironizou Nikolas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, também compartilhou as críticas. Já o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em tom de deboche, escreveu: “Estou proibido de postar falas de meu pai, ‘MAIS’ posso postar as decisões do Alexandre de Moraes?”
Até mesmo o ex-deputado e jurista Deltan Dallagnol comentou o episódio: “Tudo isso vindo de um finalista do Prêmio Jabuti, o maior reconhecimento literário do país.”
Decisão judicial e ameaça de prisão preventiva
O despacho de Moraes refere-se ao uso das redes sociais por aliados de Bolsonaro, que teria violado medidas cautelares anteriormente impostas. Em um dos trechos da decisão, o ministro justificou a possibilidade de decretação de prisão preventiva:
“Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que, as redes sociais do investigado EDUARDO NANTES BOLSONARO foram utilizadas à (sic) favor de JAIR MESSIAS BOLSONARO dentro do ilícito modus operandi já descrito”, afirmou Moraes.
Em outro momento, ele destacou a gravidade do uso indireto das redes sociais para veicular falas do ex-presidente:
“Não será admitida a utilização de subterfúgios para a manutenção da prática de atividades criminosas, com a instrumentalização de entrevistas ou discursos públicos como ‘material pré-fabricado’ para posterior postagens nas redes sociais de terceiros previamente coordenados”, escreveu.
A frase que gerou maior repercussão entre os críticos foi:
“Como diversas vezes salientei na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, a Justiça é cega mais (sic) não é tola!!!!!”
Após a repercussão negativa, o Supremo disponibilizou uma nova versão corrigida da manifestação no sistema oficial da Corte.