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Um novo estudo mostra que alimentação saudável e prática regular de exercícios físicos podem reduzir drasticamente o risco de morte por doenças hepáticas relacionadas ao álcool, mesmo entre pessoas que consomem bebidas alcoólicas em excesso. A pesquisa, publicada no Journal of Hepatology, analisou registros de 60.000 adultos e concluiu que mudanças simples no estilo de vida proporcionam benefícios significativos, especialmente para quem está em maior risco.
Segundo os cientistas, grandes bebedores — homens que consomem mais de 14 drinques por semana ou mulheres acima de sete — reduziram em 36% o risco de morte hepática quando se exercitavam regularmente. Para quem consome álcool de forma compulsiva — definido como cinco drinques em uma única ocasião para homens ou quatro para mulheres — uma alimentação saudável reduziu o risco em 84%, enquanto a prática de exercícios físicos diminuiu em 69%.
O professor Naga Chalasani, especialista em fígado da Escola de Medicina da Universidade de Indiana e principal autor do estudo, destacou:
“Descobrimos que a adesão a altos níveis de atividade física e/ou qualidade da dieta estava associada a um menor risco de morte relacionada ao fígado em todos os padrões de consumo de álcool.”
A pesquisa usou dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA, cruzando informações sobre consumo de álcool, dieta e atividade física com registros nacionais de óbitos. Os participantes foram classificados como consumidores leves, moderados ou pesados, e suas dietas avaliadas pelo Índice de Alimentação Saudável, semelhante à dieta mediterrânea, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, frutos do mar e gorduras saudáveis, enquanto reduz alimentos processados, açúcares e gorduras saturadas. O exercício não precisava ser intenso: 150 minutos de atividade moderada por semana já proporcionavam benefícios.
O estudo também identificou que qualquer quantidade de álcool aumenta o risco de doenças hepáticas, incluindo consumo diário baixo, mas mudanças no estilo de vida podem compensar parte desse perigo. Mulheres foram apontadas como especialmente vulneráveis, mas também obtiveram os efeitos protetores mais fortes da dieta e do exercício físico.
O trabalho é divulgado em um contexto preocupante: nos EUA, o consumo excessivo de álcool mata cerca de 178 mil pessoas por ano. No Reino Unido, as mortes relacionadas ao álcool atingiram níveis recordes durante e após a pandemia de Covid-19, mais que dobrando desde 2001. Em 2022, foram registradas quase 10 mil mortes específicas por álcool, a maioria por doenças hepáticas.
O estudo também reforça que pessoas de origens socioeconômicas desfavorecidas estão em maior risco, devido à combinação de consumo elevado de álcool, má alimentação e baixa atividade física.
O professor Chalasani concluiu:
“Nosso estudo oferece uma visão mais completa e detalhada dos riscos do consumo de álcool e deve mudar a forma como os médicos conversam com os pacientes sobre o tema.”
Especialistas em saúde pública ressaltam que a pesquisa não dá um “passe livre” para bebedores, mas mostra que medidas simples, como melhorar a alimentação e aumentar a atividade física, podem fazer diferença significativa na prevenção de doenças hepáticas.