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Pesquisadores dos Estados Unidos podem estar próximos de explicar por que a obesidade aumenta significativamente o risco de desenvolver Alzheimer, principal causa de demência no mundo. O estudo sugere que pequenas moléculas armazenadoras de gordura presentes em pessoas obesas podem acelerar a formação de proteínas tóxicas no cérebro, como amyloid e tau, que se acumulam em placas e emaranhados associados aos sintomas da doença.
Especialistas há tempos alertam que a obesidade eleva o risco de condições graves de saúde, como hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer, e estudos recentes indicam que ela também está ligada ao declínio cognitivo. Segundo os pesquisadores, o novo estudo é “o primeiro do tipo” a identificar um possível mecanismo molecular que conecta o excesso de gordura corporal ao Alzheimer.
O trabalho envolveu voluntários magros e obesos em hospitais, cujas amostras de gordura subcutânea e visceral foram analisadas. A gordura subcutânea está logo abaixo da pele, enquanto a visceral envolve órgãos internos. Testes de líquido cefalorraquidiano permitiram medir os níveis de amyloid no cérebro dos participantes.
Os resultados mostraram que certos lipídios presentes nas moléculas armazenadoras de gordura em pessoas obesas aceleram a agregação de amyloid e conseguem atravessar a barreira hematoencefálica. De acordo com os autores, mirar nessas moléculas e interromper sua comunicação poderia reduzir o risco de Alzheimer em pessoas obesas.
O Dr. Stephen Wong, especialista em imagem médica e distúrbios neurológicos do Houston Methodist Academic Institute e coautor do estudo, destacou: “Como estudos recentes enfatizaram, a obesidade é agora reconhecida como o principal fator de risco modificável para demência”.
Apesar das descobertas, os pesquisadores alertam que mais estudos são necessários para comprovar se as moléculas contribuem diretamente para o acúmulo de amyloid. Experimentos futuros em animais serão essenciais para avaliar possíveis fatores de confusão e confirmar o vínculo.
Segundo os cientistas, tratamentos ou estratégias que visem essas moléculas poderiam servir como terapêuticos potenciais para doenças neurodegenerativas. A pesquisa foi publicada na revista “Alzheimer’s & Dementia”.
O estudo surge em um contexto de crescente atenção sobre prevenção: pesquisas recentes indicam que quase metade dos casos de Alzheimer poderia ser evitada ao abordar 14 fatores de estilo de vida desde a infância. Novos fatores de risco, como colesterol alto e perda de visão, foram identificados e estariam por trás de quase um em cada dez casos de demência globalmente.