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Um novo e polêmico reality show de sobrevivência extrema, intitulado “Non Player Combat”, está desafiando os limites do entretenimento ao apresentar um elenco, cenário e até mesmo o apresentador inteiramente criados por Inteligência Artificial (IA). Na série, seis “concorrentes” virtuais lutam até a morte em uma ilha hostil, misturando elementos de Jogos Vorazes e The Traitors.
A proposta, da AiMation Studios, é inédita: o programa é o primeiro no mundo onde a narrativa é conduzida por IAs com personalidades complexas que tomam suas próprias decisões em tempo real.
“Non Player Combat” coloca seus seis personagens gerados por IA em uma ilha remota com ambientes hostis. A grande diferença, segundo os criadores, é que os concorrentes não estão atuando, mas sim reagindo a cenários de sobrevivência com base em seu treinamento de IA.
Tom Paton, fundador e CEO da AiMation Studios, defende a autenticidade da proposta: “O futuro é onde os personagens dos programas e filmes que assistimos vivem suas histórias em tempo real, e são essas histórias que vemos editadas. Os concorrentes de Non Player Combat não estão atuando para a câmera, então, em muitos aspectos, eles parecem mais genuínos que seu concorrente humano médio de reality show.”
Cada personagem é uma IA treinada em “centenas de páginas” de histórico e background criados pela AiMation Studios, incluindo detalhes de personalidade e até alimentos favoritos.
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O jogador número um é Travis Drake, o estereotípico herói de ação americano, ex-Navy SEAL e corredor de ultramaratona.
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A jogadora número cinco é Eliza Cole, uma assassina “imprevisível e perigosa” que cumpriu oito anos de prisão.
As IAs simulam o que cada personagem faria diante de situações de sobrevivência, decidindo quando correr, onde se esconder, com quem se aliar e quem matar. O show de quatro episódios é criado animando os registros escritos dessas simulações.
No primeiro episódio, a ação é brutal: os concorrentes são atacados por ursos, mordidos por cobras venenosas e se envolvem em tiroteios mortais. Paton questiona a relevância da origem dos personagens para o público: “A questão é: você realmente se importa que seja IA se está entretido? Duvido, e isso é tudo que importa.”
Apesar das críticas sobre a qualidade visual — os personagens “claramente parecem e soam como IA”, com “performances ríspidas, lentas e ocasionalmente bastante sinistras” —, o principal atrativo do “Non Player Combat” reside em seu custo de produção.
A AiMation Studios se gaba de ter ampliado os limites do cinema com um orçamento mínimo. Paton estima que a série de quatro episódios custa 90% menos do que um reality show de sobrevivência tradicional. Segundo a Forbes, a série foi concluída em menos de dois meses, com um custo total de apenas US$ 28.000 (£21.000).
Para efeito de comparação, a produção de um único episódio do The Traitors supostamente custa até US$ 1 milhão. O custo de produção de “Non Player Combat” é menor do que o salário mensal médio de um único animador no Reino Unido, o que intensifica o debate sobre o futuro dos empregos na indústria do entretenimento.
A ascensão de projetos como “Non Player Combat” ocorre em meio a uma crescente preocupação de que a IA possa substituir atores, animadores, escritores e diretores humanos.
O sindicato de atores do Reino Unido, Equity, está se preparando para uma votação que pode levar à ação industrial. Os membros serão questionados se estão dispostos a recusar a digitalização para garantir maior proteção contra o uso de sua imagem para treinar IA ou gerar personagens virtuais.
Essa movimentação ecoa a greve de um ano realizada recentemente pelo sindicato SAG-Aftra nos Estados Unidos, envolvendo atores de voz e performers de captura de movimento de videogames, que protestavam contra o uso de IA para substituir artistas humanos.
No entanto, Tom Paton minimiza as preocupações, rotulando-as de “protecionismo”.
“Como isso não é apenas uma forma de dizer a um jovem que está experimentando IA que sua voz não conta porque não é o método ‘aprovado’? A mídia sempre se diversificou. O cinema não matou a TV. A TV não matou o vídeo caseiro. O streaming não matou o cinema. Algumas pessoas ainda juram que o vinil soa melhor, mas isso não significa que o Spotify não deveria existir,” argumenta Paton.
O primeiro episódio de “Non Player Combat” já está disponível para streaming no YouTube e no site da AiMation Studios. Os episódios seguintes serão lançados semanalmente no aplicativo AiMation GVOD.