Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A Rússia acusou a Ucrânia de realizar, na noite entre 28 e 29 de dezembro de 2025, um ataque com 91 drones à residência do presidente russo, Vladímir Putin, localizada em Valday, na região de Nóvgorod, entre Moscou e São Petersburgo. A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, que classificou o episódio como um “ataque terrorista” e anunciou que Moscou irá revisar sua posição nas negociações de paz.
Segundo Lavrov, todos os drones foram interceptados pelas defesas aéreas e ninguém se feriu. No entanto, ele afirmou que a Rússia já selecionou alvos na Ucrânia para possíveis “ataques de retaliação” e alertou que sua postura nas conversas diplomáticas será ajustada diante da “degeneração final do regime de Kiev, que se transformou em uma política de terrorismo de Estado”.
A residência presidencial, situada a cerca de cinco quilômetros da cidade de Valday, ocupa aproximadamente 2,5 milhões de metros quadrados e abriga mansões, instalações esportivas, um spa de 6.700 metros quadrados e outros prédios. Diferentemente de outras residências oficiais, Putin raramente realiza reuniões ou negociações nesse local, e há poucas imagens públicas do interior do complexo.
Desde 2023, as autoridades russas reforçaram a defesa antiaérea da região, com a instalação de sistemas Pantsir-S1 em vilarejos próximos e em pontos estratégicos de Moscou. Parte do terreno era historicamente ligada a empresas de Yuri Kovalchuk, amigo próximo de Putin, mas em junho de 2024 uma das parcelas passou para a custódia da Direção “B” do Serviço de Segurança Presidencial.
O suposto ataque ocorreu horas após o encontro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente ucraniano Volodímir Zelensky em Florida, onde ambos discutiram avanços rumo a um acordo de paz, embora reconhecendo que ainda há “questões espinhosas” a serem resolvidas, como o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia e o futuro do Donbás.
No mesmo dia, Putin reiterou a intenção de consolidar o controle sobre quatro regiões ucranianas cuja anexação foi anunciada em 2022. “O objetivo de libertar o Donbás, as regiões de Zaporizhzhia e Kherson está sendo realizado por etapas, conforme o plano da operação militar especial… As tropas avançam com confiança”, afirmou o presidente russo em reunião com comandantes do exército.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valeri Guerásimov, informou que as tropas russas conseguiram penetrar na estratégica cidade de Lyman, no leste de Donetsk, a partir de várias direções.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou que Moscou concorda com Trump que as negociações estão em fase final e que Putin conversará “muito em breve” com o presidente norte-americano. Peskov reforçou, porém, que a Ucrânia precisa retirar suas tropas da parte do Donbás que ainda controla, sob pena de perder mais território.
Atualmente, a Rússia controla aproximadamente um quinto da Ucrânia, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, cerca de 90% do Donbás, 75% das regiões de Zaporizhzhia e Kherson, e partes de Járkov, Sumy, Mikoláiv e Dnipropetrovsk, segundo estimativas russas.
O anúncio de Lavrov não pôde ser verificado de forma independente, e autoridades ucranianas ainda não se manifestaram sobre o incidente. Apesar disso, Zelensky e Trump anunciaram a criação de “grupos de trabalho” para finalizar um acordo de paz nas próximas semanas, sem detalhar datas ou locais para os encontros.