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O Exército dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira (3) que abateu um drone iraniano que se aproximava do porta-aviões Abraham Lincoln, no Mar da Arábia. Segundo um porta-voz do Comando Central dos EUA, o Shahed-139, de fabricação iraniana, se aproximou de forma “agressiva” do navio, cuja intenção não ficou clara.
O porta-aviões estava a cerca de 800 km da costa sul do Irã quando o drone realizou manobras em direção à embarcação. A interceptação foi realizada por um caça F-35 americano. O porta-voz reforçou que o veículo não entrou em águas territoriais iranianas.
O incidente provocou leve alta nos preços do petróleo, após quedas superiores a 4% no dia anterior. Os contratos futuros do Brent subiram 1,24%, refletindo a preocupação com a estabilidade na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou sobre o episódio e sobre a situação diplomática com o Irã, afirmando que navios de grande porte estão sendo enviados à região e que conversas estão em andamento. “Se conseguirmos chegar a um acordo, será ótimo. Se não, provavelmente coisas ruins acontecerão”, disse o líder americano.
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que iniciou negociações com os Estados Unidos, desde que haja condições adequadas e sem “ameaças ou expectativas irrazoáveis”. Uma reunião bilateral deve ocorrer na próxima sexta-feira na Turquia, segundo informações de autoridades árabes à AFP, ainda sem confirmação oficial do Irã.
A tensão surge em meio a um contexto delicado entre Washington e Teerã. O envio do grupo de porta-aviões ao Oriente Médio ocorre após protestos antigovernamentais no Irã, que tiveram repressão letal em dezembro passado. A polícia iraniana reconheceu mais de 3 mil mortes durante os protestos, enquanto ONGs estimam que o número real seja superior a 6 mil. Mais de 50 mil pessoas foram presas em conexão com os atos de insatisfação popular.
Os confrontos começaram devido ao aumento do custo de vida e se expandiram para manifestações nacionais contra o governo. As autoridades locais afirmam que cidadãos estrangeiros, incluindo 139 pessoas de outros países, participaram dos protestos, e acusam Estados Unidos e Israel de incitar a violência. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, classificou os protestos como uma tentativa de golpe e alertou para a possibilidade de “guerra regional” caso os EUA ataquem o país.
O histórico de conflitos na região inclui o abandono das negociações nucleares entre EUA e Irã no ano passado, após Israel lançar uma série de ataques contra instalações nucleares e militares iranianas, resultando na morte de cientistas e militares, além de centenas de civis. O Irã respondeu com ataques de drones e mísseis contra Israel e uma base militar americana no Catar.
Em entrevista recente à CNN, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã perdeu confiança em Washington como parceiro de negociação, mas acredita que ainda é possível chegar a um acordo sobre o programa nuclear. O país insiste que qualquer negociação deve se restringir a esse tema, rejeitando tratar de questões relacionadas a mísseis ou capacidade militar.
Especialistas destacam que os eventos recentes aumentam a tensão geopolítica no Oriente Médio, afetando a economia global e o mercado de energia. A diplomacia internacional, incluindo intervenções de países como Turquia, Egito, Omã e Catar, busca reduzir o risco de conflito e retomar as negociações nucleares entre Teerã e Washington.