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A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) desarticulou, nesta terça-feira (3), uma organização criminosa em Londrina suspeita de aplicar golpes milionários utilizando dados de pessoas em situação de rua. O casal que liderava o esquema, cujos nomes não foram revelados, mantinha uma rotina de ostentação bancada por fraudes iniciadas ainda em 2021. Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão e nove de busca e apreensão.
De acordo com o delegado Edgard Soriani, os líderes levavam uma vida de alto padrão incompatível com a renda declarada. Entre os bens sequestrados pela Justiça, está uma mansão na cidade de Sertaneja avaliada em R$ 5 milhões, além de dinheiro em espécie e uma moto aquática.
Como funcionava o esquema
O grupo agia de forma estratégica para burlar sistemas bancários, dividindo o golpe em duas frentes:
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Exploração da vulnerabilidade: Funcionários do casal iam até locais frequentados por dependentes químicos e pessoas em situação de rua. Eles ofereciam quantias em dinheiro para levar as vítimas até os comércios dos suspeitos (uma loja de eletrônicos e outra de motos).
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Abertura de contas: No local, a proprietária utilizava os documentos das vítimas para abrir contas de pessoa física e jurídica. Um detalhe chamou a atenção dos investigadores: o casal usava o próprio comprovante de residência para abrir dezenas de contas diferentes.
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Margem de crédito: Para liberar empréstimos, os criminosos injetavam capital nas contas para simular movimentação financeira e, após conseguirem o crédito, realizavam os saques.
Vítimas em outros estados
Além das mais de 100 pessoas em situação de rua afetadas, o grupo também roubava dados de vítimas que não estavam em vulnerabilidade, residentes em outros estados. O alerta para a polícia veio de um banco de São Paulo, que identificou movimentações atípicas em cinco contas. Ao serem localizadas, essas vítimas afirmaram que sequer sabiam que seus dados estavam sendo utilizados.
Lavagem de Dinheiro
A polícia acredita que as lojas de eletrônicos e de motocicletas do casal em Londrina funcionavam como fachada para a lavagem do dinheiro ilícito. “É um prejuízo milionário”, estima o delegado Soriani, ressaltando que a investigação, iniciada em 2023, enfrentou dificuldades justamente pelo fato de as vítimas principais não possuírem endereço fixo.
Os cinco presos — o casal e três funcionários — responderão pelos crimes de:
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Organização criminosa;
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Lavagem de dinheiro;
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Falsificação e uso de documento falso;
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Falsidade ideológica.
