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Correr 170 quilômetros em terrenos montanhosos pode provocar danos mais intensos aos glóbulos vermelhos do que percursos mais curtos, segundo um estudo conduzido por pesquisadores da University of Colorado Anschutz. A pesquisa indica que, embora a prática de exercícios físicos seja fundamental para a saúde e longevidade, provas extremas como ultramaratonas podem acelerar o envelhecimento dessas células sanguíneas.
Os cientistas analisaram amostras de sangue de 11 adultos, com média de 36 anos, antes e após a participação em uma corrida de trilha de 40 quilômetros. O mesmo procedimento foi realizado com outro grupo de 12 participantes, de idade semelhante, que disputaram uma ultramaratona de 170 quilômetros em terreno semelhante.
De acordo com o pesquisador Angelo D’Alessandro, competir em ambas as distâncias aumentou os danos causados por espécies reativas de oxigênio — moléculas produzidas em maior quantidade quando o organismo exige mais transporte de oxigênio. No entanto, o impacto foi significativamente maior entre os corredores da ultramaratona.
“De forma anedótica, o sangue após uma ultramaratona parece o de alguém que acabou de sofrer um trauma severo. Os glóbulos vermelhos acumulam danos e se tornam mais envelhecidos”, afirmou D’Alessandro.
Alterações na forma das células
Além do aumento do dano oxidativo, apenas os atletas que percorreram 170 quilômetros apresentaram mudanças mais rápidas no formato dos glóbulos vermelhos, que passaram da tradicional forma de disco para um formato mais esférico — característica associada ao envelhecimento celular.
Segundo Travis Nemkov, também integrante da equipe, essa alteração dificulta a passagem das células pelo baço, órgão responsável por remover glóbulos vermelhos envelhecidos da circulação. “Quando assumem essa forma esférica, elas podem ficar presas no baço e acabam sendo eliminadas por células do sistema imunológico”, explicou.
Os pesquisadores apontam que o fenômeno pode estar ligado ao aumento da inflamação provocado pelo esforço extremo, que exige maior circulação e resistência das células sanguíneas.
Queda temporária não indica anemia
O estudo também identificou que os ultramaratonistas apresentaram uma redução de aproximadamente 10% na quantidade de glóbulos vermelhos após a prova. Apesar disso, os cientistas destacam que a variação é considerada pequena e insuficiente para provocar anemia, além de o organismo ter capacidade de recuperação rápida.
Agora, a equipe investiga quanto tempo esses efeitos persistem após a corrida e se as alterações podem influenciar o desempenho esportivo. Para Nemkov, ainda não está claro se o fenômeno representa um processo adaptativo que fortalece o organismo ou se pode trazer impactos negativos a longo prazo.
Ultramaratonas já haviam sido associadas anteriormente a efeitos como supressão temporária do sistema imunológico e quadros de anemia. O novo estudo amplia a compreensão sobre como provas de resistência extrema afetam diretamente as células responsáveis pelo transporte de oxigênio no corpo.
