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A investigação da Operação Shadowgun revelou que a quadrilha suspeita de produzir e vender armas fabricadas com impressoras 3D também oferecia tutoriais e acompanhamento técnico para que compradores pudessem montar seus próprios armamentos em casa.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (12) pelo procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, durante coletiva sobre o andamento da investigação.
Segundo o procurador, além da comercialização de armas prontas, o grupo passou a vender um projeto digital que ensinava o processo de fabricação do armamento.
“O que surgiu a partir dessa investigação foi algo diferente. Não são fábricas, são pessoas, principalmente duas pessoas, que idealizaram um projeto digital e passaram, além de comercializar as armas fabricadas, passaram a comercializar esse projeto, oferecendo inclusive um tutorial e acompanhamento técnico”, afirmou.
De acordo com Moreira, o modelo amplia o risco de disseminação de armas, já que permite que qualquer pessoa com acesso a tecnologia básica possa produzir armamentos.
“Isso é extremamente preocupante porque permite que qualquer um a partir desse projeto digital e uma impressora 3D possa produzir, fabricar armas de fogo”.
Armas produzidas dentro de casa
As investigações apontam que as armas eram produzidas com polímeros — plásticos de alta resistência — combinados com tecnologia de impressão tridimensional. O método possibilita a fabricação das chamadas “armas fantasmas”, que podem ser montadas em casa com equipamentos relativamente simples.
Segundo o delegado Marcos Buss, titular da 32ª Delegacia de Polícia de Taquara, Rio de Janeiro, um dos modelos identificados na investigação é a carabina conhecida como Urutau.
“Em 2024, um indivíduo escondido pelo pseudônimo de Zé Carioca, ele desenvolveu uma nova carabina, que ele denominou de Urutau, que pode ser integralmente fabricada por uma impressora 3D, com conhecimento básico de engenharia metalúrgica”, explicou o delegado.
Segundo Buss, o modelo representa um avanço em relação a versões anteriores de armas impressas em 3D, pois pode ser produzido praticamente sem peças regulamentadas.
“Essa carabina Urutau ela pode ser fabricada integralmente na casa das pessoas”, disse.
Consultoria técnica para montagem
Ainda de acordo com a investigação, o próprio desenvolvedor do projeto prestava orientação técnica a quem adquirisse o modelo, incluindo instruções para fabricar componentes metálicos da arma.
“Esse indivíduo ele fornece uma consultoria para quem o procura. E ele desenvolveu um processo de metalurgia, denominado eletroerosão, um processo simplificado que permite que dentro da sua casa seja possível montar um cano raiado”.
O cano raiado é um componente que aumenta a precisão do disparo.
“Ou seja, essa carabina ela tem precisão de uma arma de fogo profissional”, afirmou o delegado.
Segundo os investigadores, o custo para fabricar uma arma desse tipo poderia ficar em torno de R$ 800, utilizando uma impressora 3D de baixo custo e materiais acessíveis.
Risco de disseminação
Durante a coletiva, o procurador-geral também alertou para o risco de expansão desse tipo de armamento fora de qualquer sistema de controle.
“Esse grupo estimula pessoas, sobretudo, jovens a fazer e portar armas de fogo, com o argumento que esse seria um direito de todos. Isso é muito perigoso porque retira do Estado e dos órgãos responsáveis pela fiscalização de controle, produção e circulação de armas, qualquer possibilidade de controle”.
Moreira também afirmou que a tecnologia pode ampliar o acesso a armamentos por diferentes perfis de usuários.
“Essas armas podem inclusive ser utilizadas não somente pelas organizações criminosas tradicionais, comando vermelho e outros, por cidadãos comuns e por grupos de fanáticos, por grupos terroristas”.
“Isso é preocupante em um mundo polarizado, com muito radicalismo. E essa facilidade na produção e circulação de armas de fogo produzidas a partir de um simples projeto digital com a utilização de uma impressora 3D é algo extremamente preocupante”.