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Um raro fenômeno natural registrado na praia da Lagoinha do Leste, em Florianópolis, viralizou nas redes sociais no dia 13 de dezembro. Um vídeo feito por Kaio Pereira mostra o exato momento em que a lagoa da região se rompe e forma uma espécie de cascata, que se desloca rapidamente em direção ao mar, criando ondas na faixa de areia. Pereira, nativo do Sul da Ilha de Santa Catarina e atuante há 15 anos com passeios de barco na região, conta que já presenciou o fenômeno outras vezes, embora com menos intensidade, explicando que, em outras ocasiões, a água rompeu a barreira de areia com menos força.
O vídeo, compartilhado inicialmente por Kaio nas redes sociais, rapidamente ganhou atenção, alcançando, até segunda-feira (23), 699 mil visualizações em uma das publicações. O evento está relacionado às chuvas intensas que ocorreram no estado. Segundo o oceanógrafo Paulo Horta, as aberturas do canal entre a lagoa e o mar são consideradas raras, mas tendem a se tornar mais frequentes devido às mudanças climáticas, com a aceleração dos fenômenos climáticos fazendo com que eventos como esse se tornem cada vez mais comuns.
Pereira, que também é surfista na região, explica o fenômeno como o “estouro da lagoa”. Quando o nível da água da lagoa supera o da areia que bloqueia a ligação com o mar, ocorre um rompimento natural, especialmente após grandes volumes de chuva.
O oceanógrafo Argeu Vanz acrescenta que, devido às chuvas intensas dos últimos meses, a água se acumulou nas dunas até que a pressão resultasse no rompimento. Após o esvaziamento da área de dunas, com os fenômenos oceanográficos que afetam a areia, a área se fecha novamente. Esse fenômeno se repete sempre que há chuvas intensas, e as forças da água e da areia entram em conflito.
A Lagoinha do Leste, conhecida por sua água doce, é acessível apenas por trilha ou barco. O local contrasta com o mar agitado da praia, frequentado por surfistas. Considerada uma praia deserta e preservada, não é permitida a construção de edificações permanentes, e os poucos restaurantes que operam no local devem desmontar suas estruturas ao final da temporada de verão, seguindo rígidas regras de operação.
