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Uma nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, revelou detalhes de um esquema organizado que desviou milhões de aposentadorias e pensões do INSS. Os investigadores descobriram que os envolvidos usavam apelidos para se referir a políticos e ex-servidores do órgão, dificultando a identificação de quem recebia o dinheiro roubado.
O grupo alvo da operação incluía a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), que teria faturado R$ 708 milhões com descontos ilegais de benefícios. Desse total, R$ 640 milhões foram desviados para empresas de fachada e contas de operadores do esquema.
Os apelidos usados no esquema
As mensagens e planilhas interceptadas pela PF mostram os codinomes para os envolvidos:
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Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, era chamado de “Italiano”
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André Fidelis, ex-diretor do INSS, era o “Herói A”
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Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador, era o “Herói V”
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Deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) recebia o apelido “Herói E”
Stefanutto e Fidelis foram presos nesta quinta-feira, enquanto Pettersen foi alvo de busca e apreensão. O pedido de monitoramento eletrônico do parlamentar foi negado pelo ministro do STF André Mendonça.
Como o esquema funcionava
Segundo a PF, a Conafer tinha três núcleos:
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Comando
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Financeiro
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Político e de apoio – formado por parlamentares e assessores, incluindo Euclydes Pettersen
O empresário Cícero Marcelino, preso nesta fase, é apontado como braço financeiro do esquema. Ele teria criado e gerido diversas empresas de fachada para receber os valores desviados e repassá-los a servidores e políticos.
As planilhas apreendidas indicam os valores enviados a cada destinatário, sempre codificados com apelidos, e coincidem com os registros bancários. A PF detalhou que os pagamentos eram feitos nos mesmos dias e quantias mencionadas nos documentos, confirmando a movimentação organizada do dinheiro.
Defesas dos investigados
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Stefanutto: advogados afirmam que a prisão é “completamente ilegal”, pois ele teria colaborado com as investigações e pretende comprovar sua inocência.
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Virgílio Oliveira Filho: se apresentou voluntariamente à PF, demonstrando respeito às instituições e comprometimento com a apuração.
A operação desta quinta-feira reforça que o esquema era organizado, estruturado e bem planejado, com uso de apelidos, planilhas e empresas de fachada para ocultar o destino dos recursos desviados do INSS.