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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, viajou no mesmo jatinho particular que o advogado Augusto Arruda Botelho, ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, poucos dias antes de o magistrado impor sigilo e avocar para o STF a investigação que mira o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A viagem ocorreu em 2021 (data omitida no texto original, mas inferida pelo contexto da final da Libertadores), quando ambos, palmeirenses, se dirigiram a Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores da América. O voo privado foi cedido pelo empresário Luiz Oswaldo Pastore, amigo em comum dos dois. A informação, revelada por Lauro Jardim em O Globo, foi confirmada pelo Estadão por um dos 15 participantes do voo, que incluía também o ex-deputado Aldo Rebello.
Conexões no Voo e Decisão Judicial
A carona de Toffoli com o advogado levanta questionamentos devido à coincidência de datas com uma decisão crucial do ministro no caso que envolve o Banco Master:
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O Envolvido: Augusto Arruda Botelho é o advogado que defende Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Compliance do Banco Master, preso na mesma operação que deteve o banqueiro Daniel Vorcaro.
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A Decisão: Poucos dias após a viagem, Dias Toffoli, relator da investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, determinou que o STF assumiria o controle total sobre o caso, antes conduzido pela Justiça Federal em Brasília.
O ministro estabeleceu que “qualquer medida judicial há de ser avaliada previamente por esta Corte e não mais pela instância inferior”. A resolução, que impôs sigilo máximo à investigação, justifica a avocação da competência pela suposta prerrogativa de foro de pessoas envolvidas, alegando que o sigilo é necessário para “evitar vazamentos que obstaculizem as investigações”. O empresário Daniel Vorcaro é suspeito de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras com um prejuízo estimado em pelo menos R$ 10 bilhões.
Outras Viagens e Patrocínios
A reportagem também revela outras viagens de Toffoli em jatos de empresários e sua participação em eventos patrocinados por grupos sob investigação.
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Viagem a Roma (2024): Toffoli retornou ao Brasil no avião de Luiz Oswaldo Pastore (o mesmo que cedeu o voo para Lima) após participar de um evento do grupo Esfera, que teve como um dos patrocinadores o grupo JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista.
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Eventos Financiados: O Banco Master, investigado por Toffoli, financiou ao menos cinco eventos entre 2022 e 2024 que contaram com a presença de membros do STF.
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Fórum em Londres (2024): Toffoli participou de um evento em Londres no ano passado. O Grupo Voto, organizador, afirmou ter bancado suas despesas com passagens e hospedagem, mas não revelou os valores exatos nem a lista completa de patrocinadores.
O empresário Luiz Oswaldo Pastore, que cedeu a aeronave, é do setor de importação de cobre e alumínio e declarou um patrimônio de R$ 453,5 milhões ao TSE em 2022.