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Um experimento internacional lançado na última sexta-feira (1º) busca entender como a microgravidade influencia o comportamento de bactérias patogênicas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). A iniciativa é liderada pelo Sheba Medical Center, de Israel, em parceria com a empresa norte-americana SpaceTango, e foi enviada ao espaço por meio da missão Crew-11, da NASA em colaboração com a SpaceX.
De acordo com o site especializado Space.com, o principal objetivo do projeto é investigar se as condições espaciais alteram o crescimento e a resistência de microrganismos causadores de doenças em humanos — com a expectativa de contribuir para o enfrentamento de desafios da saúde pública na Terra, como a resistência aos antibióticos.
O experimento foca em três tipos de bactérias: Escherichia coli (E. coli), Salmonella bongori e Salmonella typhimurium. Todas são conhecidas por provocar infecções em humanos e vêm preocupando a comunidade científica pelo potencial de desenvolver resistência aos tratamentos convencionais.
A escolha desses microrganismos está ligada à sua importância clínica e à necessidade de compreender como ambientes extremos — como o da microgravidade — podem impactar sua virulência e facilitar a aquisição de características que dificultam sua eliminação.
No laboratório orbital, os cientistas vão cultivar essas bactérias em condições de microgravidade. Após a fase de crescimento, as amostras serão congeladas a -80 °C antes de retornarem à Terra, onde passarão por análises detalhadas.
O procedimento permitirá comparar o desenvolvimento e a expressão genética das bactérias cultivadas no espaço com aquelas que se desenvolveram em laboratório terrestre. O objetivo é identificar diferenças no crescimento, na adaptação e, principalmente, na capacidade de resistência aos antibióticos.
Ohad Gal-Mor, chefe do Laboratório de Pesquisas em Doenças Infecciosas do Sheba Medical Center, destacou a importância do estudo. “Sabemos que as condições espaciais afetam o comportamento bacteriano, incluindo como crescem, expressam genes e adquirem características como resistência a antibióticos ou virulência”, afirmou ao Space.com.
Segundo o pesquisador, pela primeira vez será possível mapear, de forma sistemática e molecular, as mudanças no perfil genético de várias bactérias patogênicas no ambiente espacial.
A pesquisa integra um esforço mais amplo para entender os efeitos da microgravidade não só em microrganismos, mas também no corpo humano. Estudos anteriores já mostraram que a ausência de gravidade pode alterar a expressão genética, acelerar a perda de massa muscular em astronautas e aumentar a incidência de problemas de pele.
Embora a NASA e outras agências espaciais já tenham realizado experimentos com crescimento bacteriano no espaço, a proposta atual visa aprofundar o mapeamento molecular para compreender melhor os mecanismos que sustentam a resistência e a virulência desses patógenos.
Os resultados do estudo podem ter impacto além da exploração espacial. A resistência bacteriana a antibióticos representa uma ameaça crescente à saúde pública global, dificultando o tratamento eficaz de infecções e contribuindo para a disseminação de doenças.
Ao analisar as alterações genéticas das bactérias no espaço, os cientistas esperam obter pistas sobre como esses microrganismos se comportam no corpo humano — desde a velocidade com que se espalham até sua habilidade de driblar os tratamentos médicos, tanto em órbita quanto na Terra.
