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A missão Artemis II, da NASA, entra em sua fase mais implacável. Após percorrer mais de 1,1 milhão de quilômetros ao redor da Lua, a espaçonave Orion se prepara para um mergulho de 10 dias rumo à Terra, culminando em um reentrada atmosférica que testará os limites da engenharia aeroespacial moderna.
O “gran finale”, conhecido como splashdown (amerissagem), está previsto para as 21:07 (horário de Brasília). O alvo é o Oceano Pacífico, na costa de San Diego, Califórnia. Este é considerado o trecho mais perigoso da viagem, onde a margem de erro é praticamente nula.
O Desafio dos 2.700 °C
A cápsula Orion atingirá a atmosfera terrestre a uma velocidade superior a 40.000 km/h — veloz o suficiente para dar a volta no planeta em menos de uma hora. O atrito com o ar gerará um plasma incandescente ao redor da nave, elevando as temperaturas externas a escaldantes 2.700 °C.
O sucesso da missão depende de um ângulo de entrada preciso de -5,8° em relação ao horizonte:
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Muito plano: A cápsula pode “quicar” na atmosfera e se perder no espaço.
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Muito íngreme: O estresse térmico e mecânico destruiria a nave e a tripulação.
Escudo Térmico sob Vigilância
O protagonista desta etapa é o escudo térmico, composto por 186 blocos de Avcoat sobre uma base de titânio. Após a missão não tripulada Artemis I apresentar desprendimentos inesperados de material, a NASA revisou o design e optou por uma trajetória de reentrada mais profunda e direta, visando reduzir o tempo de exposição ao calor extremo.
A bordo, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — os primeiros humanos a orbitar a Lua em mais de meio século — enfrentarão minutos de silêncio absoluto no rádio. O plasma ao redor da nave bloqueia as comunicações, deixando o controle da missão em solo em uma espera agonizante até que a Orion emerja da bola de fogo.
A Sequência de Pouso
Para reduzir a velocidade de 500 km/h para apenas 27 km/h no momento do impacto, a Orion executará uma coreografia complexa de paraquedas:
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7.620 metros: Desprende-se a cobertura superior e os primeiros paraquedas são lançados.
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2.900 metros: Abrem-se os paraquedas principais (três cúpulas de 35 metros de diâmetro cada).
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Impacto: Cinco airbags laranjas inflam para garantir que a cápsula flutue na posição correta.
Resgate no Pacífico
Equipes de elite da Marinha dos EUA e da NASA já estão posicionadas com helicópteros, mergulhadores e o navio USS John P. Murtha. A meta é resgatar os quatro astronautas em menos de duas horas.
“Os três marcos principais são: ver os três paraquedas, confirmar que a cápsula é segura e verificar se a escotilha pode ser aberta”, explicou Lili Villarreal, diretora de pouso e recuperação da missão.
Se bem-sucedida, a Artemis II validará os sistemas necessários para o próximo grande passo da humanidade: o pouso lunar da missão Artemis IV, planejado para o final de 2028, pavimentando o caminho para a futura exploração de Marte.






















































