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🧡 Ver Ofertas na ShopeeNa noite de 23 de julho de 1982, o ator norte-americano Vic Morrow, de 53 anos, carregava nos braços os atores mirins Myca Dinh Le, de 6 anos, e Renee Shinn Chen, de 7, durante as gravações do filme No Limite da Realidade (Twilight Zone: The Movie). A cena era gravada em um set montado para simular uma vila vietnamita perto de Saugus, na Califórnia, no que seria a tomada mais perigosa de toda a produção.
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Em questão de segundos, uma detonação no solo atingiu o rotor de cauda do helicóptero Bell UH-1B que sobrevoava o local em baixa altitude. A aeronave perdeu o controle e caiu diretamente sobre os três atores. Nenhum deles sobreviveu.

O ator Vic Morrow morreu durante as filmagens após um helicóptero cair. Segundo a Junta Nacional de Segurança nos Transportes, a aeronave perdeu o controle depois que destroços de uma explosão danificaram o rotor de cauda.
Morrow e a criança Myca Dinh Le foram decapitados pelas pás do rotor principal, enquanto Renee morreu esmagada pelo trem de pouso da aeronave. O piloto, Dorcey Wingo, sobreviveu à queda. O desastre ocorreu durante a 13ª noite consecutiva de filmagens, sob a direção do cineasta John Landis.

A Warner Bros. removeu do filme Twilight Zone: The Movie a cena do acidente. Posteriormente, as famílias das vítimas receberam indenizações em processos civis.
Irregularidades na contratação das crianças
As investigações apontaram que Myca Dinh Le e Renee Shinn Chen foram contratados de forma irregular. A legislação trabalhista do estado da Califórnia proibia o trabalho de menores durante o período noturno e em ambientes com explosões ou maquinário pesado.
Além disso, os pais das crianças não foram devidamente informados sobre o grau de perigo da cena. A mãe de Myca, Kim-Hoa Lee, declarou posteriormente no tribunal que lhe haviam dito apenas que o filho apareceria em uma sequência onde uma vila seria bombardeada e duas crianças escapariam — sem qualquer menção a explosivos reais ou helicópteros voando a poucos metros do chão.

Vic Morrow na série Combate!. O Ministério Público de Los Angeles denunciou o diretor John Landis e outros quatro responsáveis por homicídio culposo devido ao acidente que matou o ator e duas crianças. Ao fim do julgamento, os cinco acusados foram absolvidos pelo júri.
Os pagamentos das crianças foram feitos à margem dos registros oficiais do estúdio. Segundo depoimentos da equipe, o produtor George Folsey Jr. chegou a comentar que, caso a irregularidade fosse notada pelas autoridades, a punição seria apenas “uma pequena multa e um puxão de orelhas”.
Advertências e falhas no set
A cena exigia que Vic Morrow atravessasse um rio carregando as duas crianças enquanto pirotecnia detonava ao redor e a aeronave fazia voos rasantes. Testemunhas relataram que o diretor John Landis ordenou que o helicóptero descesse além do limite ensaiado. Pelo megafone, Landis gritava: “Mais baixo, mais baixo, mais baixo!”.
O especialista em efeitos visuais Ron Rondell revelou que Landis chegou a pedir o uso de armas com munição real para simular impactos de bala, desrespeitando normas básicas de segurança. O próprio Vic Morrow interrompeu as gravações em determinado momento ao notar escopetas carregadas na produção. Pouco antes do take fatal, o ator desabafou com um membro da equipe: “Devo estar louco por fazer isso. Deveria ter pedido um dublê. O que eles podem fazer? Me matar?”.
O ator americano Vic Morrow no filme Ratas Humanas (1961). A gravação da cena que recriava a Guerra do Vietnã ocorreu sob forte pressão, já que o diretor John Landis queria concluir as filmagens e determinou medidas que despertaram preocupação entre integrantes da equipe técnica.
Desfecho legal e absolvições
A queima dos artefatos lançou detritos que atingiram a hélice traseira do helicóptero, desestabilizando a aeronave. O impacto e a queda foram testemunhados por mais de cem pessoas no set.
O Ministério Público do Condado de Los Angeles indiciou cinco pessoas por homicídio culposo (quando não há intenção de matar): o diretor John Landis, o produtor George Folsey Jr., o diretor de produção Dan Allingham, o coordenador de efeitos especiais Paul Stewart e o piloto Dorcey Wingo.
O julgamento estendeu-se por dez meses, entre 1986 e 1987. Apesar das gravações captadas por seis câmeras no momento exato do acidente e dos depoimentos das testemunhas, o júri decidiu pela absolvição de todos os réus.
Acordos civis e eliminação das cenas
As famílias de Myca e Renee fecharam acordos civis com a Warner Bros. no valor de US$ 2 milhões para cada família. As filhas de Vic Morrow também moveram uma ação por negligência, encerrada com o pagamento de US$ 850 mil pela produtora.
As imagens da tragédia foram analisadas durante o processo criminal, mas a sequência jamais foi incluída na montagem final de No Limite da Realidade. Todo o material original da gravação fatal foi destruído pela Warner Bros.
O segmento dirigido por John Landis em Twilight Zone: The Movie mostrava um homem transportado no tempo que acabava em meio à Guerra do Vietnã. Esse personagem era interpretado por Vic Morrow.
A trajetória de Vic Morrow
Nascido em 14 de fevereiro de 1929 no Bronx, em Nova York, Victor Morrow era filho de imigrantes judeus russos. Antes de ingressar na carreira artística, serviu na Marinha americana e cursou Direito. Sua estreia no cinema ocorreu no clássico Sementes de Violência (Blackboard Jungle, 1955), mas o sucesso nacional veio ao interpretar o Sargento Saunders na célebre série de TV Combate! (1962–1967).
Vic Morrow buscava relançar sua carreira com Twilight Zone: The Movie, após alcançar fama na série Combate! e passar boa parte da década de 1970 sem papéis de grande destaque.
Pai da atriz Jennifer Jason Leigh, fruto de seu casamento com a atriz Barbara Turner, Morrow tentava reestruturar sua carreira cinematográfica ao aceitar o papel em No Limite da Realidade, após anos focado em produções menores.

O acidente no set de Twilight Zone: The Movie matou o ator Vic Morrow e as crianças Myca Dinh Le e Renee Shinn Chen durante a gravação de uma cena que envolvia um helicóptero e explosões.
Repercussão em Hollywood
O acidente chocou a indústria cinematográfica e provocou reformulações profundas nas normas de segurança em sets de filmagem, além de um rigoroso controle sobre a presença de menores em produções de risco.
Steven Spielberg, que também dirigiu um dos segmentos do filme, declarou em 1983: “Nenhum filme vale a pena morrer por ele”. Em 1996, John Landis comentou o caso publicamente: “Não há nada de positivo nessa história. Foi uma tragédia enorme em que não passo um único dia sem pensar”.
















































































