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O que riscou o céu do Pacífico na noite desta sexta-feira (10) não foi um meteoro, mas a história sendo escrita. A cápsula Orion, da missão Artemis II, trouxe de volta à Terra os quatro astronautas que realizaram a jornada tripulada mais distante da humanidade desde a era Apollo. O pouso (ou splashdown) ocorreu exatamente às 21h07 (horário de Brasília), marcando o fim de dez dias no espaço.
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A fase mais tensa da missão foi o chamado “apagão de comunicações”. Durante seis minutos, a NASA e o mundo perderam o contato com Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Ao atingir as camadas mais densas da atmosfera a 40.000 km/h, o atrito comprimiu o ar ao redor da cápsula, criando uma bolha de plasma incandescente que bloqueia qualquer sinal de rádio.
Nesse período, a Orion se transformou em uma tocha humana. O escudo térmico, uma estrutura de titânio revestida com blocos de um material chamado Avcoat, suportou temperaturas de 2.760 ºC — quase metade da temperatura da superfície do Sol e mais que o dobro do calor de lava vulcânica.
“Você sabe que o apagão está chegando. Apenas continua com os processos normais, monitorando. Não há muito o que fazer, e você não pode deixar o receio te afetar”, relatou o astronauta veterano Barry “Butch” Wilmore, descrevendo a concentração extrema exigida.
A sequência de frenagem foi uma obra-prima da engenharia aeroespacial. Para garantir a segurança dos astronautas, a velocidade precisou ser reduzida de forma brutal:
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Frenagem Atmosférica: A própria resistência do ar reduziu a velocidade para 523 km/h até a altitude de 8 mil metros.
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Paraquedas de Estabilização: Dois paraquedas de 7 metros foram acionados para estabilizar a queda.
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Paraquedas Principais: A menos de 3 mil metros de altura, três paraquedas gigantescos (com 35 metros de diâmetro cada) abriram-se para desacelerar a cápsula a meros 32 km/h.
A cápsula atingiu as águas próximas à costa de San Diego, na Califórnia. O navio militar USS John P. Murtha, da Marinha dos EUA, já aguardava no local com equipes médicas e helicópteros.
A extração dos astronautas foi planejada para durar cerca de duas horas. Eles deixaram a escotilha da Orion diretamente para uma balsa inflável apelidada de “Front Porch” (Varanda da Frente), antes de serem levados para exames clínicos a bordo do navio.
O sucesso da Artemis II valida o design da Orion e a integridade de seu escudo térmico, que era uma preocupação da NASA após danos leves detectados na missão não tripulada de 2022. Com a tripulação sã e salva em solo (e mar) terrestre, o caminho está oficialmente aberto para a Artemis III, que planeja levar humanos — incluindo a primeira mulher e o primeiro homem negro — para pisar na superfície lunar nos próximos anos.
Para Victor Glover, que descreveu a reentrada como viajar dentro de uma “bola de fogo”, o momento é de alívio e dever cumprido: “Esses instantes finais são os mais esperados e exigentes para qualquer tripulação de uma missão deste calibre”.